Porradaria clássica em Fallen City. Desenvolvido pela Fallen City Studio e publicado pela Eastasiasoft Limited, Fallen City Brawl é um jogo de luta Beat ‘n Up com um visual inspirado nos arcades do final dos anos 80 e início dos anos 90. Desde o primeiro contato, fica claro que a proposta do jogo é resgatar a essência desse gênero clássico, trazendo combates diretos e aquela atmosfera urbana típica que marcou gerações.
Uma história simples, mas eficiente
Fallen City Brawl não busca contar uma história complexa ou cheia de reviravoltas. Muito pelo contrário: a narrativa é bastante direta e cumpre apenas o papel de justificar a ação. A cidade foi tomada pelo crime organizado e cabe a quatro heróis improváveis enfrentarem essa ameaça.
Os protagonistas são SGT. Clay, Ricco, Natasha e Iron Jackson. Cada um deles tem um motivo pessoal para entrar nessa luta, o que ajuda a criar pequenas camadas narrativas mesmo dentro de uma proposta simples.
Clay: ex-membro da S.W.A.T., acusado injustamente de um crime. Seu objetivo é limpar o próprio nome e combater a corrupção dentro da polícia.
Ricco: agente das forças especiais, cuja unidade foi destruída pela Ignition Gear. Sua luta é motivada pelo desejo de justiça.
Natasha: uma mecânica talentosa que busca resgatar sua irmã, que acabou se envolvendo com a Ignition Gear.
Iron Jackson: um lutador traído pela mesma organização criminosa, agora movido pela vingança.
Esses pequenos detalhes ajudam a dar personalidade aos personagens e criam uma motivação mínima para o jogador seguir em frente. Ainda assim, é importante destacar que a trama não é o ponto forte do jogo, ela é apenas um pano de fundo para a verdadeira estrela: o combate.
Combate que remete aos clássicos
O coração de qualquer Beat ‘n Up é o sistema de luta, e aqui Fallen City Brawl consegue entregar algo simples, mas funcional. O combate é direto, com poucos combos e uma curva de aprendizado rápida. Em pouco tempo, já é possível entender os golpes básicos, as habilidades especiais e até mesmo algumas estratégias para lidar com diferentes inimigos.
Mesmo sem ter jogado tanto os clássicos dos anos 90, dá para perceber a inspiração direta em títulos como Final Fight e Streets of Rage. O jogo aposta na simplicidade: não há uma grande variedade de movimentos, mas existe aquela sensação de impacto como tinham os jogos antigos.
Cada personagem possui um estilo de luta próprio:
Clay usa combinações de socos e pode disparar com uma escopeta.
Ricco mistura socos e chutes, contando com um revólver como arma de apoio.
Natasha foca em chutes rápidos e arremessa uma chave inglesa como bumerangue.
Iron Jackson combina força bruta com correntes e utiliza um coquetel molotov para ataques à distância.
Um detalhe interessante é a habilidade ultimate. Ao encher a barra de energia do caos, os personagens liberam ataques devastadores que aumentam significativamente o dano. No entanto, quando a barra atinge o máximo, inimigos do caos podem ser invocados, deixando o combate mais caótico. Derrotá-los gera moedas especiais, mas a utilidade desses itens não é mostrada como funciona de maneira clara, o que gerou uma boa confusão.
Fases e inimigos variados
O jogo conta com sete fases no total, cada uma trazendo novos cenários, inimigos e desafios. Apesar de não ser um número muito alto, as fases são bem construídas e apresentam uma boa variedade de ambientes, indo desde ruas dominadas por gangues até áreas mais fechadas, como armazéns e prédios em ruínas.
Os inimigos comuns têm diferenças visíveis, o que ajuda a evitar a sensação de repetição. Alguns exigem mais atenção que outros, como o já citado membro da S.W.A.T. que ataca de longe com tiros e ainda carrega um escudo.
Já os chefes de fase, embora visualmente interessantes, não chegam a ser tão desafiadores quanto esperado. Muitas vezes, é mais perigoso lidar com a horda de inimigos comuns do que com o próprio chefe, o que pode deixar as lutas finais um pouco anticlimáticas. Ainda assim, eles cumprem seu papel dentro da proposta retrô do jogo.
Dificuldade e curva de aprendizado
Um ponto positivo é que o jogo consegue equilibrar bem a dificuldade. Ele não é frustrante, mas também não é fácil demais. Iniciantes conseguem aprender rapidamente como lutar, enquanto jogadores mais experientes podem buscar estratégias para derrotar inimigos com mais eficiência.
O tempo total de campanha é relativamente curto, o que pode ser visto como um ponto negativo para quem busca muitas horas de conteúdo. No entanto, esse formato também favorece a rejogabilidade, já que a experiência pode ser repetida com outros personagens, cada um oferecendo uma abordagem diferente.
Do Arcade para a Tela de Hoje
A trilha sonora é um dos pontos altos do jogo. Ela remete diretamente às músicas dos arcades, com batidas fortes e um tom energético que combina perfeitamente com o ritmo da ação. Para quem viveu a época dos anos 80 e 90, há um toque de nostalgia inegável.
Os efeitos sonoros também são bem executados. Cada soco, chute ou golpe especial soa bem, reforçando o impacto da pancadaria. Explosões, disparos e o barulho das armas também se destacam e ajudam na imersão.
No meu caso, que não tive tanto contato com os clássicos, a nostalgia não bateu tão forte, mas ainda assim consegui reconhecer o cuidado colocado nessa parte da produção.
Aspectos técnicos: gráficos e desempenho
Visualmente, Fallen City Brawl aposta em um estilo pixel art detalhado, mas com toques modernos que dão mais vida às animações. Os cenários são variados, cheios de pequenos elementos que reforçam a ambientação urbana decadente.
As animações dos personagens são fluidas, e cada golpe tem peso e clareza. O design dos inimigos também é criativo, mesmo que alguns sejam simples em comparação a outros.
No quesito desempenho, o jogo roda de forma estável e sem problemas notáveis. Não encontrei quedas de FPS ou travamentos, o que é essencial em um gênero que exige precisão nos comandos.
O jogo foi testado na seguinte configuração:
- Intel Core i5 12400f
- RTX 3060
- 16GB RAM
Uma Homenagem Digna aos Clássicos
Fallen City Brawl é uma verdadeira homenagem aos clássicos Beat ‘n Ups. Ele não tenta reinventar o gênero, mas sim recriar aquela experiência nostálgica com algumas adições modernas. A história é simples, mas cumpre seu papel. O combate é direto e divertido, mesmo sem grande profundidade. Os personagens têm estilos únicos e a trilha sonora reforça a atmosfera retrô.
Por outro lado, o jogo poderia oferecer mais fases, chefes mais desafiadores e explicar melhor algumas mecânicas, como a energia do caos e suas moedas. Ainda assim, para quem gosta do gênero ou tem boas lembranças dos arcades, Fallen City Brawl é uma experiência de menos de uma hora que vale a pena caso pegue o jogo em promoção.
NOTA
CONSIDERAÇÕES
Um bom jogo de luta que relembra os velhos tempo, mesmo que ele não se destaque e seja muito curto, ele é um jogo divertido com 4 personagens interessantes de se jogar por um breve período de tempo.