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Review | MIO: Memories in Orbit (PC)

Uma arca estranha, silenciosa e tomada por maquinários hostis. Desenvolvido pela Douze Dixièmes e publicado pela Focus Entertainment, Mio: Memories in Orbit é um metroidvania de ação e aventura que aposta fortemente em atmosfera, narrativa ambiental e um senso constante de melancolia. A obra coloca o público no controle de Mio, um pequeno robô que desperta em um local praticamente inóspito: a imensa arca espacial Nau. Um lugar que outrora foi funcional e cheio de vida, mas que agora abriga apenas máquinas corrompidas, sistemas falhos e vestígios de um passado esquecido.

Desde os primeiros momentos, o jogo deixa claro que a Nau não é apenas um cenário, mas um personagem em si. A estrutura da arca é fragmentada, repleta de setores desconectados e áreas que parecem ter parado no tempo. Mio, ao acordar, encontra poucos sinais de atividade, além de robôs hostis que patrulham o local de forma quase automática, como se estivessem presos a uma rotina quebrada. O objetivo inicial é simples: sobreviver, explorar e ajudar os poucos residentes restantes muitos deles desligados ou incapacitados que antes mantinham a arca funcionando plenamente.

Uma Arca à Deriva Entre Memórias e Ruínas

A narrativa de Mio: Memories in Orbit é contada de forma sutil, fragmentada e, muitas vezes, mais sugerida do que explicitamente explicada. Tudo começa com uma voz misteriosa, pertencente a alguém que aparenta não estar mais presente. Esse elemento inicial cria um clima de mistério e abandono, estabelecendo desde cedo o tom melancólico que permeia toda a experiência. Pouco depois, Mio desperta sozinha em um ambiente estranho, cercada por ameaças e sem qualquer contexto claro sobre seu papel naquele lugar.

Um dos momentos mais marcantes do início ocorre quando algo inesperado altera completamente a paleta de cores do mundo, transformando o cenário em preto e branco. Esse evento não é apenas visual, mas também simbólico, representando a perda, o colapso e o esquecimento que tomaram conta da Nau. Aos poucos, conforme Mio avança, as cores retornam gradualmente, reforçando a ideia de reconstrução e esperança, ainda que frágil.

Ao chegar à área principal da arca, Mio passa a buscar respostas não apenas sobre o que aconteceu com a Nau, mas também sobre sua própria existência. Quem a despertou? Qual era sua função original? E, mais importante, ainda existe uma maneira de salvar aquele lugar? A história se desenrola por meio de diálogos breves, registros espalhados pelo mapa e encontros com entidades que guardam memórias do passado, exigindo atenção e interpretação por parte de quem joga.

A Evolução de Mio Refletida na Jogabilidade

No quesito jogabilidade, Mio: Memories in Orbit entrega um combate sólido e competente dentro da proposta metroidvania. Os confrontos são responsivos e funcionais, com inimigos que variam entre ameaças simples e desafios mais complexos, exigindo leitura de padrões e bom posicionamento. À medida que a progressão avança, o sistema de combate se torna mais dinâmico, oferecendo novas possibilidades e incentivando abordagens variadas.

O sistema de progressão é um dos pontos altos do jogo. Conforme Mio evolui, novas habilidades são desbloqueadas, impactando diretamente tanto o combate quanto a exploração. O mapa se abre gradualmente, recompensando a curiosidade e o retorno a áreas previamente visitadas. Um destaque interessante são os modificadores, habilidades especiais que consomem determinados espaços para serem equipadas. Esse sistema adiciona uma camada estratégica importante, pois obriga a escolher cuidadosamente quais melhorias utilizar, equilibrando ataque, defesa e mobilidade.

A exploração é fluida e bem integrada ao design dos cenários. Saltos, esquivas e habilidades de movimento são introduzidos de forma progressiva, evitando sobrecarga inicial e garantindo uma curva de aprendizado natural. A sensação de domínio sobre o mapa cresce com o tempo, tornando o backtracking menos cansativo e mais recompensador.

Uma Direção Artística que Conta Histórias em Silêncio

Visualmente, Mio: Memories in Orbit é um espetáculo à parte. A direção de arte aposta em cenários detalhados, com uma estética que mistura tecnologia avançada e decadência. Cada área da Nau possui identidade própria, seja por meio da iluminação, da paleta de cores ou dos elementos de fundo que contam histórias silenciosas sobre o que ocorreu ali.

A fluidez das animações contribui diretamente para a imersão. Mio se movimenta de forma suave, com transições naturais entre ações, o que reforça a sensação de controle e precisão. O uso do preto e branco em momentos específicos não é apenas um recurso estético, mas narrativo, funcionando como uma representação visual do estado emocional e estrutural da arca.

É um daqueles jogos que convidam a desacelerar, observar o cenário e apreciar cada detalhe, despertando curiosidade constante para descobrir o que existe além da próxima área.

Melancolia Sonora em Meio ao Vazio do Espaço

A trilha sonora acompanha perfeitamente o tom da experiência. Longe de ser leve, as músicas carregam uma melancolia constante, refletindo o estado atual da Nau e a solidão de Mio. Os temas ambientes são discretos, mas presentes, criando uma sensação de isolamento sem se tornarem cansativos.

Durante os combates mais intensos, a música se transforma, ganhando ritmo e tensão, elevando a sensação de perigo. O design de som também é competente, com efeitos que reforçam o impacto dos ataques, a movimentação e a presença ameaçadora dos inimigos.

Desempenho Operante

O jogo rodou muito bem, cravado aos 60 fps o tempo todo sem quedas consideráveis. Os requisitos do jogo:

  • PROCESSADOR: AMD Ryzen 3 1300X / Intel Core i3-8100
  • MEMÓRIA: 8 GB de RAM
  • PLACA DE VÍDEO: AMD Radeon RX 570 / Nvidia GeForce GTX 1650

Joguei o jogo na seguinte configuração:

  • Intel Core i5 12400f
  • 16 Gb de Ram
  • RTX 3060

Uma Jornada Sensível por um Mundo Quebrado

Mio: Memories in Orbit se destaca como um metroidvania que valoriza atmosfera, narrativa emocional e progressão bem pensada. Não se trata apenas de explorar mapas e derrotar inimigos, mas de compreender um mundo quebrado e participar, mesmo que de forma sutil, de sua possível reconstrução. Com uma direção artística marcante, trilha sonora envolvente e mecânicas sólidas, o jogo entrega uma experiência melancólica, contemplativa e, acima de tudo, memorável.

NOTA

8.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

Mio é realmente uma experiência para se ter principalmente para aqueles que apreciam arte visual em jogos, então para qualquer um que gosta de metroidvania e visuais bem feitos, Mio: Memories in Orbit é uma escolha certa.

Victor Schumacher
Victor Schumacher
Adoro jogos de todos os tipos, sempre tentando ter as experiências mais variadas possíveis.
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