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Preview | Nocturnal 2 (PC)

O Brilho que Rasga o Breu: Primeiras Impressões de Nocturnal 2

Ao abrir Nocturnal 2 é, antes de tudo, um exercício de rendição estética. Não se trata apenas de apertar botões ou de cumprir objetivos em um mapa interconectado; é um convite, ou talvez uma intimação, para testemunhar um dos trabalhos artísticos mais esmerados da atualidade no cenário independente. A Sunnyside Games não apenas refinou as arestas de seu antecessor, mas elevou a proposta a um patamar de sofisticação que nos faz questionar os limites da animação tradicional dentro de um motor de jogo contemporâneo. É, vejam vocês, uma coisa de uma beleza que chega a doer, e eu digo isso com a convicção de quem viu a luz bruxuleante da lâmina de Ardeshir rasgar a névoa de Ytash pela primeira vez.

Ao iniciar esta jornada da demo no PC, fui imediatamente arrebatado por uma sensação de urgência lírica. O jogo se apresenta como um Metroidvania, mas essa definição técnica, embora precisa, parece insuficiente para descrever o que realmente acontece na tela. Existe uma alma pulsante aqui, uma identidade que bebe da arquitetura persa e do misticismo oriental para criar um mundo que se sente antigo, vivido e tragicamente esquecido.

Nocturnal 2

O Silêncio das Pedras de Ytash

A narrativa de Nocturnal 2 me tocou de uma forma muito particular. Ela não se impõe através de longos diálogos ou exposições cansativas; ela se infiltra pelos poros, revelada pelo ambiente e pelo silêncio opressor da cidade de Ytash. Ardeshir, nosso protagonista e portador da Chama Eterna, retorna à sua terra natal para encontrar não um lar, mas um necrotério de glórias passadas, devorado por uma maldição que mergulhou tudo na obscuridade.

Eu sinto que a história aqui funciona como um afresco que vamos limpando aos poucos. Ardeshir não é um herói de peito inflado; ele é um soldado cansado, cuja única arma real contra a Névoa é a chama que ele carrega. É fascinante como o jogo utiliza o fogo não apenas como uma ferramenta, mas como uma metáfora para a esperança e a memória. Quando acendemos uma tocha, não estamos apenas iluminando o caminho; estamos, simbolicamente, reivindicando um pedaço da história contra o esquecimento. É uma narrativa que respeita a inteligência e a sensibilidade de quem joga, algo que raramente vemos ser executado com tamanha elegância.

Nocturnal 2

A Dança entre a Precisão e o Abismo

Se a estética de Nocturnal 2 nos atrai, é a jogabilidade que nos prende. A transição de um jogo linear para uma estrutura de mapa interconectado foi uma decisão magistral. O mundo de Ytash é um labirinto orgânico, onde novas habilidades desbloqueiam rotas que antes pareciam apenas parte do cenário. A movimentação de Ardeshir é de uma fluidez admirável; ele se move com a agilidade de um felino, e cada salto ou deslize pelas paredes parece ter sido calibrado para oferecer uma resposta imediata.

Senti que o jogo flerta com o “platformer de precisão” sem nunca ser injusto. O ritmo é ditado pela urgência: você precisa se mover, precisa explorar, mas sempre com um olho no cronômetro invisível da sua chama. Há uma verticalidade deliciosa na exploração que me lembrou os melhores momentos do gênero, mas com um tempero próprio, uma identidade que não tenta copiar ninguém, mas sim estabelecer suas próprias regras de engajamento.

O Fogo como Sentença e Salvação

A mecânica do fogo continua sendo o coração pulsante da experiência. A dinâmica de golpear uma fonte de calor para acender a espada é carregada de tensão. Sem a chama, somos vulneráveis; a névoa nos sufoca e os inimigos tornam-se quase imunes aos nossos ataques. Isso cria um ciclo de jogo onde a busca pela próxima luz é tão vital quanto o combate em si.

Nocturnal 2

No combate, o sistema de “juggling”, aquele malabarismo aéreo, é o que realmente brilha. Lançar um inimigo ao ar e mantê-lo lá com uma sequência de ataques incendiários é imensamente compensador. E aqui está o detalhe que eu adoro: não há botão de bloqueio. A defesa reside inteiramente na sua capacidade de esquiva e no controle de espaço. É uma escolha de design audaciosa que transforma cada embate em uma dança de alto risco. O arsenal de Ardeshir, expandido por gemas que permitem misturar feitiços, garante que o combate nunca se torne monótono, oferecendo camadas de personalização que me surpreenderam positivamente.

Um Afresco Lírico em Movimento

Falar da parte visual e sonora de Nocturnal 2 sem cair no deslumbramento é um desafio. O estilo artístico desenhado à mão é uma das coisas mais bonitas que já vi em um jogo 2D. A inspiração na arquitetura persa está na geometria dos arcos, na delicadeza das tapeçarias que podemos queimar e na forma como a luz se comporta ao tocar as superfícies. O uso de espaços negativos e sombras profundas cria um contraste hipnótico.

E a trilha sonora? É de uma sofisticação absoluta. A música não apenas acompanha a ação; ela dita o tom emocional da jornada. O design de som é igualmente meticuloso, o estalar do fogo e o som abafado da névoa criam uma paisagem sonora que nos transporta diretamente para as entranhas da cidade. É um pacote audiovisual que entende que a escuridão não é apenas a ausência de cor, mas sim uma paleta de mistérios.

A Estabilidade do Silício

Rodei esta Demo em meu setup pessoal, um Ryzen 7 5700x, acompanhado de uma RTX 4060 e generosos 32 GB de RAM. E eu lhes digo: o resultado é de uma fluidez que faz o coração sorrir. O jogo correu a 1080p cravado em 60 FPS, sem o menor sinal de engasgo, mesmo quando a tela se enchia de chamas e partículas.

Nocturnal 2

A otimização é exemplar. A placa de vídeo lidou com os efeitos de luz dinâmica com uma facilidade desconcertante, criando jogos de luz nas colunas ornamentadas que são um colírio para os olhos. O processador manteve a estabilidade absoluta, garantindo que a latência de comandos fosse inexistente, algo crucial em um jogo que exige tanta precisão. É revigorante ver um título que respeita o hardware do jogador e entrega uma performance tão polida logo de cara.

A Chama que Fica

Nocturnal 2 não é apenas uma sequência; é uma declaração de amor ao artesanato digital. Ele pega a centelha de originalidade do primeiro jogo e a transforma em um incêndio incontrolável de criatividade. Ao jogar, a gente sente que cada detalhe foi colocado ali com um propósito, desde a curva de um arco até a dificuldade balanceada do combate.

Minhas primeiras impressões são de um otimismo radiante. É uma jornada sobre redescobrir a própria luz em um mundo que parece ter se esquecido de como brilhar. Se o produto final mantiver a coesão desta demo, Nocturnal 2 será aquela experiência que você carregará consigo, como uma pequena chama no bolso. É um triunfo, é visceral, e é, acima de tudo, imperdível. Preparem seus corações, pois a chama de Ardeshir está mais viva do que nunca.

Gustavo Feltes
Gustavo Feltes
Eu amo jogar, jogar é uma parte de mim. Cada história, momento, universo e gameplay me encantam. Eu não tenho restrições de jogos, cada célula do meu corpo clama por isso.
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