A crise global de memória já começa a impactar diretamente as fabricantes de computadores, e a HP foi uma das primeiras gigantes a detalhar os efeitos práticos dessa alta.
Durante a divulgação de resultados trimestrais, a CFO Karen Parkhill revelou que os custos com RAM e armazenamento praticamente dobraram em peso na estrutura de produção dos PCs.
Se há um ano esses componentes representavam entre 15% e 18% da lista de materiais, agora devem atingir cerca de 35% em 2026.
O que está por trás da alta
O aumento expressivo está ligado principalmente a:
Forte demanda impulsionada por inteligência artificial
Expansão acelerada de data centers
Maior adoção de PCs com foco em IA
O CEO interino Bruce Broussard afirmou que a empresa reforçou acordos estratégicos com fornecedores para mitigar o impacto.
Entre as medidas adotadas estão:
Contratos de longo prazo para cobrir o ano fiscal de 2026
Homologação de novos parceiros
Criação de estoques estratégicos
Redução pela metade do tempo de validação de novos componentes
Divisão de PCs continua crescendo
Apesar da pressão nos custos, a divisão de sistemas pessoais apresentou crescimento sólido:
US$ 10,3 bilhões em receita
Alta de 11% na comparação anual
PCs para consumidores: +14%
Mercado corporativo: +9%
Um dos motores desse avanço são os chamados “AI PCs”, que já representam mais de 35% dos embarques da empresa, segundo Broussard.
Windows 11 e IA sustentam a demanda
Parkhill destacou dois fatores que devem manter a procura aquecida:
Migração contínua para o Windows 11
Crescimento dos computadores voltados à inteligência artificial
Já Ketan Patel, presidente da divisão de sistemas pessoais, apontou que cada vez mais desenvolvedores estão criando aplicações que rodam localmente com melhor desempenho em máquinas equipadas com recursos de IA.
Cautela no curto prazo
Apesar do crescimento, a executiva adotou tom moderado em relação aos próximos meses.
Segundo ela, o ambiente operacional mais desafiador e o tempo necessário para implementar medidas de mitigação devem fazer com que os resultados financeiros fiquem mais próximos do limite inferior das projeções divulgadas anteriormente.
A crise da memória, portanto, não apenas pressiona os custos de produção, como também reforça a dependência crescente do setor de tecnologia em relação ao avanço da inteligência artificial, o mesmo fator que impulsiona vendas é o que encarece os componentes.
