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Review | Grime 2 (PC)

Obras criadas e abandonadas em um mundo de obsessão por arte é o que define o mundo de Grime 2. Desenvolvido pela Clover Bite e distribuído pela Kwalee, Grime 2 é um metroidvania de ação em um universo surreal onde o protagonista, conhecido como Sem Forma, busca compreender o mundo em que foi criado enquanto sacia uma fome insaciável que parece ser tanto física quanto existencial.

Um Mundo Moldado Pela Arte

Inicialmente, Grime 2 apresenta sua lore de forma enigmática através de uma voz conhecida como o Criador das Marés. Ele conversa com algo que chama de “ovo”, explicando que, ao despertar, essa entidade ficará longe de sua presença. Até que chegue o momento certo, ela deve se alimentar de tudo o que encontrar para crescer. Essa introdução já estabelece o tom misterioso e simbólico da narrativa, deixando claro que o jogo aposta mais em sugestões do que em explicações diretas.

Após esse diálogo inicial, o jogo começa de fato, guiando o Sem Forma até seu primeiro grande desafio: um chefe que serve como introdução às mecânicas principais. Ao derrotá-lo, o protagonista o devora, adquirindo uma nova habilidade, um tentáculo com uma mão que pode agarrar objetos e inimigos. Esse momento não só define a progressão do gameplay, mas também reforça a ideia central do jogo: crescer através da absorção.

A partir daí, a jornada se desenrola guiada pela curiosidade do protagonista, explorando um mundo decadente e obcecado por arte. Estruturas quebradas, esculturas vivas e criaturas deformadas compõem um cenário que transmite abandono e obsessão em igual medida. A narrativa se expande por meio de diálogos opcionais e interações com NPCs, onde as escolhas de fala do jogador influenciam as reações desses personagens, tornando as interações mais dinâmicas e, em alguns casos, mais claras.

Mesmo mantendo um estilo interpretativo, Grime 2 consegue ser mais direto do que seu antecessor em certos momentos, oferecendo fragmentos de história que ajudam a montar o quebra-cabeça daquele mundo. Ainda assim, grande parte da experiência narrativa depende da atenção aos detalhes e da disposição para interpretar o que não é dito explicitamente.

Evoluir é Absorver

A gameplay de Grime 2 é um de seus pontos mais fortes, apresentando um combate que exige precisão e atenção. O sistema de parry é essencial, permitindo contra-atacar inimigos no momento certo e causar dano significativo. Dominar essa mecânica é fundamental para sobreviver, especialmente nas fases mais avançadas.

Outro destaque é a mecânica de ímpeto, responsável por aumentar o dano causado. Quando a barra está abaixo de um determinado nível, o dano permanece padrão, mas ao ultrapassar esse limite, os ataques se tornam muito mais poderosos. Isso incentiva um estilo de jogo mais agressivo e estratégico, equilibrando risco e recompensa.

O sistema de evolução também está presente, permitindo melhorar armas e armaduras com materiais encontrados pelo mapa. Esses itens são relativamente fáceis de identificar, o que incentiva a exploração constante. Além disso, há o sistema de moldes, uma das mecânicas mais interessantes do jogo. Ao enfraquecer um inimigo, é possível executar uma ação especial que permite absorver suas habilidades. Essas habilidades podem ser equipadas em um conjunto limitado e utilizadas em combate, adicionando variedade e personalização ao estilo de jogo.

O combate contra os inimigos é desafiador e recompensador. Conforme novas áreas são desbloqueadas, a dificuldade aumenta de forma natural, exigindo maior domínio das mecânicas. Derrotar inimigos também pode conceder novas habilidades ou melhorias para as já adquiridas, criando um ciclo constante de progressão.

A cura é integrada diretamente ao combate, podendo ser obtida através de parries bem executados, ataques agressivos ou movimentos específicos. Isso mantém o ritmo intenso e evita que o jogador dependa excessivamente de itens.

Apesar disso, a variedade de inimigos em cada área é relativamente limitada. Ainda assim, isso não chega a ser um grande problema, já que cada inimigo exige uma abordagem diferente. Mesmo os mais simples podem representar uma ameaça real se subestimados. Há também inimigos mais agressivos que surgem repentinamente, pressionando o jogador a reagir rapidamente, além de arqueiros, criaturas resistentes e outros tipos que mantêm o combate dinâmico.

Explorando o Desconhecido

Como um bom metroidvania, Grime 2 aposta fortemente na exploração. O mapa é interconectado, com áreas que se expandem à medida que novas habilidades são desbloqueadas. Isso incentiva revisitar locais anteriores para descobrir caminhos antes inacessíveis, segredos e melhorias escondidas.

O design das áreas é inteligente, utilizando verticalidade e caminhos alternativos para recompensar a curiosidade. Muitas vezes, o jogador é levado a experimentar rotas diferentes, seja por necessidade ou por simples exploração. Essa liberdade contribui para a sensação de descoberta constante.

Além disso, o jogo consegue integrar bem suas mecânicas ao design do mapa. Habilidades adquiridas não servem apenas para combate, mas também para navegação, criando uma progressão orgânica e satisfatória.

Quando o Visual Fala Mais Alto Que o Som

Grime 2 se destaca fortemente em seu visual. O estilo surreal é um dos elementos mais marcantes do jogo, com cenários que parecem obras de arte distorcidas e criaturas que se fundem ao ambiente. Há uma sensação constante de estranheza, mas também de beleza, criando uma identidade visual única.

Os inimigos e NPCs reforçam essa estética, muitos deles parecendo versões incompletas ou corrompidas do que deveriam ser. Alguns ainda demonstram consciência, expressando insatisfação com sua própria existência, enquanto outros apenas vagam ou permanecem imóveis, como esculturas esquecidas.

O uso de cores também chama atenção. Apesar do mundo transmitir uma sensação de decadência e abandono, há uma paleta vibrante que contrasta com esse sentimento, criando uma atmosfera ao mesmo tempo bela e perturbadora.

Já a trilha sonora é mais discreta. Em muitos momentos, ela passa quase despercebida, não causando um impacto tão marcante quanto o visual. Para alguns, isso pode ser um ponto negativo, mas também pode ser visto como uma escolha intencional para não sobrecarregar a experiência sensorial. Ainda assim, faltam momentos musicais mais memoráveis que elevem cenas importantes.

Um Metroidvania com Identidade Própria

Grime 2 é uma evolução sólida dentro do gênero metroidvania, trazendo melhorias claras em narrativa, gameplay e design de mundo. Seu combate desafiador, aliado a mecânicas criativas como o sistema de moldes, oferece uma experiência envolvente e recompensadora.

Embora apresente algumas limitações, como a menor variedade de inimigos e uma trilha sonora pouco marcante, o jogo compensa com sua atmosfera única, direção artística impressionante e progressão bem estruturada.

Para quem busca um metroidvania com identidade própria, dificuldade equilibrada e um mundo intrigante para explorar, Grime 2 é uma experiência que vale a pena.

NOTA

8.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

Grime 2 é um metroidvania com um estilo único e incrível, e uma exploração boa com combates justos, sendo uma experiência que vale a pena.

Victor Schumacher
Victor Schumacher
Adoro jogos de todos os tipos, sempre tentando ter as experiências mais variadas possíveis.
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