Poucos jogos conseguem criar uma identidade tão única quanto Death Stranding 2: On the Beach e quando ele chegou ao PC, eu já sabia duas coisas, iria ser uma experiência absurda e iria ser diferente de tudo. Mas o que eu não esperava… era amar tanto e, ao mesmo tempo, me incomodar com detalhes que, teoricamente, não deveriam estar ali, principalmente no desempenho. Essa é uma daquelas experiências que te prende emocionalmente… e tecnicamente te testa.
Mais uma vez, Kojima mexendo com a gente
Se tem uma coisa que esse jogo faz com maestria, é te fazer sentir. A história continua seguindo Sam Porter Bridges em um mundo fragmentado, onde vida e morte coexistem de forma estranha, quase poética. A narrativa se expande ainda mais, explorando temas como conexão humana, perda, maternidade e o impacto da tecnologia nas relações. Mas o que mais me pegou não foi só o enredo em si, foi como ele é contado. Kojima tem um jeito muito próprio de misturar o absurdo com o emocional. Em um momento você está completamente imerso em uma cena sensível, quase íntima e no outro, algo estranho acontece e você para e pensa: “cara só esse jogo faria isso”. E mesmo assim, funciona.

Não é uma história que tenta te explicar tudo o tempo todo. Muito pelo contrário. Ela confia que você vai sentir antes de entender. E isso pode afastar algumas pessoas, mas pra quem entra na proposta, é impossível não se envolver. Tem momentos em que você simplesmente para de jogar e fica olhando, não porque tem algo acontecendo, mas porque você está processando tudo, ou então as vezes para, pura e simplesmente para observar a paisagem ao redor. A história de Death Stranding 2 é mais acessível que a do primeiro jogo, mais direta em alguns momentos, mas sem perder aquela complexidade que faz você ficar pensando nela mesmo depois de parar de jogar. Sem contar que tem coisas absurdas, tem momentos que parecem não fazer sentido na hora, mas que depois encaixam de uma forma estranha. Mas sem perder a identidade.
Mais fluido, mais dinâmico, mas ainda único.
Se tem uma crítica que o primeiro Death Stranding recebeu bastante foi sobre o ritmo e nesse aqui dá pra ver claramente que isso foi levado em consideração. A base continua a mesma: caminhar, planejar rotas, gerenciar carga, conectar lugares.Mas agora tudo parece mais fluido.
Você ganha ferramentas mais cedo, os sistemas são apresentados de forma mais natural e o jogo respeita mais o seu tempo. Ainda exige paciência, ainda exige atenção, mas não te pune da mesma forma por simplesmente estar aprendendo. Os veículos entram mais cedo na sua rotina, as rotas ficam mais dinâmicas e a sensação de progressão é mais constante. Não deixa de ser um jogo contemplativo, mas deixa de ser um jogo que te afasta nos primeiros momentos.

Além disso, o combate e o stealth estão mais refinados. Ainda não são o foco principal, e nem deveriam ser, mas quando acontecem, funcionam melhor, são mais responsivos e menos travados do que no primeiro. Mas o mais importante, o jogo continua sendo ele mesmo. Não virou algo genérico pra agradar todo mundo só ficou mais confortável de jogar.
Profundidade sem perder identidade
As mecânicas continuam sendo um dos maiores diferenciais da franquia. A ideia de conectar jogadores de forma indireta, através de construções, recursos compartilhados e estruturas deixadas pelo mundo, continua sendo uma das coisas mais geniais já feitas em jogos online e aqui isso está ainda mais refinado. Você realmente sente que não está sozinho, mesmo estando.

Cada escada deixada, cada ponte construída, cada item compartilhado, tudo isso cria uma sensação de comunidade silenciosa que poucos jogos conseguem replicar. Além disso, o sistema de progressão está melhor distribuído, você sente que está evoluindo o tempo todo, desbloqueando coisas úteis, melhorando sua forma de jogar. Não é só número subindo, é mudança real na forma como você interage com o mundoo que acho muito importante em um jogo que depende tanto de repetição de ações. O jogo também adiciona pequenas variações nas missões e nas entregas, o que ajuda a evitar aquela sensação de loop infinito sem propósito. Resumindo tudo se encaixa melhor, se eles queriam melhorar realmente a experiência do jogo sem perder a essência, conseguiram perfeitamente.
Aqui não tem muito o que discutir.
Death Stranding 2 é, sem exagero, um dos jogos mais bonitos já feitos. Os cenários são extremamente detalhados, com um nível de realismo impressionante, iluminação, clima, partículas, o clima interfere na gameplay e na estética ao mesmo tempo a física dos objetos, a forma como o terreno reage, tudo é extremamente bem construído, e no PC isso vai além.
Com opções como ray tracing em reflexos e ambient occlusion, o jogo consegue elevar ainda mais o nível visual, algo que não está presente da mesma forma nos consoles. Mas não é só gráfico, a trilha sonora continua impecável. Aqueles momentos em que a música entra enquanto você está caminhando… ainda são mágicos. Eu lotei minha biblioteca da Steam de prints nestes momentos, e salvei inúmeros clips de momentos incríveis do jogo. Realmente não tem como falar algo negativo dessa parte, é surreal.

E como eu amo o Kojima por conseguir nos fazer sentir a cena com as trilhas sonoras.
Ela continua sendo uma das maiores forças da experiência. Ela não toca o tempo todo, e justamente por isso, quando entra, impacta muito mais. Teve momentos que fiquei arrepiada com o visual do jogo na câmera cinematográfica e com a música de fundo. Simplesmente insano como ele consegue nos fazer sentir cada detalhe desse jogo.
Death Stranding 2: On the Beach é simplesmente absurdo nesse ponto.
PC ou PS5?
A diferença entre jogar Death Stranding 2: On the Beach no PC e no PS5 não é tão simples quanto “um é melhor que o outro”. É quase como escolher entre duas experiências com prioridades diferentes. No PS5, tudo parece mais, controlado. Existe uma sensação constante de estabilidade, como se o jogo tivesse sido moldado exatamente para aquele hardware. Você entra, escolhe entre qualidade ou performance, e pronto, a experiência se mantém consistente do início ao fim, não tem surpresa, não tem queda inesperada, não tem aquele momento em que você pensa “ué, o que aconteceu aqui?”. É uma experiência mais fechada, mas extremamente confiável.
Já no PC, a sensação é completamente diferente. Aqui você tem liberdade, e isso é ao mesmo tempo incrível e frustrante. O nível visual pode ultrapassar facilmente o que o PS5 entrega: texturas mais nítidas, iluminação mais refinada, efeitos mais ricos e a possibilidade de usar tecnologias como DLSS e ray tracing elevam o jogo a um patamar absurdo. Em alguns momentos, parece que você está vendo a versão definitiva do jogo. Mas essa “versão definitiva” não se sustenta o tempo todo. Os drops de frame que aparecem em momentos específicos quebram essa ilusão de perfeição. E o mais complicado é que não parecem justificáveis, principalmente rodando em um hardware que, na teoria, deveria segurar o jogo com folga.
No fim, o que fica é uma sensação meio agridoce. O PC entrega os momentos mais bonitos, mais impressionantes e mais impactantes visualmente, mas o PS5 entrega a experiência mais consistente, mais estável e em muitos momentos, mais confortável de jogar. E em um jogo como esse, que depende tanto de imersão e fluxo, essa consistência pesa mais do que deveria.
NOTA
CONSIDERAÇÕES
Death Stranding 2: On the Beach é uma jornada sobre conexão, humanidade e o impacto das nossas escolhas. Com gameplay mais fluido e narrativa envolvente, ele aprofunda ainda mais seu universo único. Uma obra incrível, que quase alcança a perfeição.

