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Review | Narin: The Orange Room

A busca desesperadora por alguém que desapareceu do dia para a noite é o que guia a trama de Narin: The Orange Room, um jogo de aventura e terror em terceira pessoa desenvolvido pela RedSensationGames e publicado pela Urnique Studio. A narrativa é apresentada sob a perspectiva de Narin, uma estudante do ensino médio que, após adormecer durante a aula, desperta em uma versão distorcida e obscura do próprio local onde estava.

Quando a realidade deixa de fazer sentido

A história se inicia com Narin acordando após a aula e decidindo ir embora, como faria em um dia comum. No entanto, após caminhar por algum tempo, ela percebe que algo está errado. A escola já não parece mais a mesma: os corredores estão vazios, o ambiente está tomado por uma escuridão inquietante e há uma sensação constante de que algo a observa. Sem qualquer noção do que fazer, o jogador é jogado junto com a protagonista em um cenário de puro estranhamento.

É nesse momento que Narin encontra um gato preto que, surpreendentemente, consegue se comunicar com ela. O animal explica que ambos estão presos em uma dimensão alternativa, um reflexo distorcido do mundo real, para onde as pessoas acabam indo de forma misteriosa. Esse encontro serve como ponto de partida para a compreensão do que está acontecendo, ainda que muitas perguntas permaneçam sem resposta.

A partir daí, o objetivo de Narin se torna claro: encontrar uma maneira de sair daquele lugar. Contudo, a situação se complica quando ela descobre que sua irmã também está presa nessa dimensão alternativa, chamada de “Twilight Dimension”. Esse elemento adiciona uma camada emocional à narrativa, transformando a jornada em algo mais pessoal e urgente.

Conforme o jogador avança, pequenos eventos e pistas ajudam a construir o mistério em torno daquele mundo, sugerindo que há algo muito mais profundo por trás daquela realidade distorcida. Ainda que a narrativa não seja excessivamente complexa, ela cumpre bem seu papel ao manter o interesse e criar uma sensação constante de inquietação.

Simplicidade que sustenta a tensão

O gameplay de Narin: The Orange Room segue uma abordagem simples e direta, focando principalmente na exploração e na narrativa. Não se trata de um jogo que busca inovar mecanicamente, mas sim oferecer uma experiência envolvente por meio da atmosfera e da progressão da história.

O jogador deve explorar os ambientes enquanto evita ameaças sobrenaturais, principalmente fantasmas que surgem ao longo da jornada. O objetivo principal é sobreviver a esses encontros e continuar avançando pelos cenários em busca de pistas e caminhos que levem até a irmã de Narin.

Os inimigos do jogo, embora em número reduzido, se destacam pelo design e pela forma como são apresentados. São apenas três tipos principais de fantasmas: o Fog Ghost, o Janitor Ghost e a The Scissor Girl. Cada um possui características visuais distintas e comportamentos próprios, o que ajuda a manter a experiência variada mesmo com a quantidade limitada de ameaças.

O Fog Ghost trabalha mais com a tensão e a imprevisibilidade, surgindo em meio à névoa e criando momentos de surpresa. Já o Janitor Ghost é talvez o mais perturbador, com um passado mais obscuro sugerido ao longo do jogo, vagando pelos corredores da Twilight Dimension carregando sacos ensanguentados, o que contribui bastante para o clima de horror psicológico. Por fim, a The Scissor Girl traz um tipo diferente de perseguição, sendo mais agressiva e direta, elevando a sensação de perigo em momentos específicos.

As principais mecânicas do jogo giram em torno do uso da lanterna, que não serve apenas para iluminar o caminho, mas também para interagir com o ambiente. Ela é essencial para superar certas obstruções, escapar de perseguições e resolver puzzles simples. Além disso, o jogador pode arremessar latas para ativar interruptores, acender luzes e até mesmo alterar elementos do cenário, como flores com olhos e tentáculos que bloqueiam passagens e precisam ser neutralizadas para liberar o caminho.

O jogo também apresenta momentos de furtividade e perseguição, que ajudam a quebrar o ritmo da exploração. Esses trechos são simples, mas funcionam bem dentro da proposta, adicionando tensão sem tornar a experiência frustrante. Os puzzles, por sua vez, são relativamente fáceis e não representam um grande desafio, o que pode ser visto como algo positivo, já que não interrompem o fluxo da narrativa nem se tornam cansativos.

No geral, o gameplay é funcional e cumpre seu papel, mesmo sem trazer grandes inovações. Ele serve como suporte para a narrativa e a atmosfera, que são, de fato, os principais destaques do jogo.

Uma atmosfera que inquieta

Visualmente, Narin: The Orange Room apresenta uma proposta interessante ao misturar um estilo inspirado em anime com gráficos em 3D, criando uma identidade própria. Essa combinação funciona bem, principalmente quando integrada aos elementos de terror, resultando em cenários que conseguem ser ao mesmo tempo bonitos e perturbadores.

A ambientação da escola na Twilight Dimension é um dos pontos altos do jogo. Os corredores escuros, as salas abandonadas e os detalhes sutis espalhados pelo cenário contribuem para criar uma sensação constante de desconforto. Há um cuidado em transmitir a ideia de um lugar familiar que foi completamente corrompido, o que intensifica a imersão.

A iluminação também desempenha um papel importante, reforçando a dependência da lanterna e aumentando a tensão em momentos específicos. Muitas vezes, o jogador se vê caminhando em ambientes quase completamente escuros, o que faz com que qualquer som ou movimento inesperado se torne ainda mais impactante.

Falando em som, a trilha sonora do jogo é outro destaque. Ela é, na maior parte do tempo, sutil e discreta, acompanhando os acontecimentos sem se sobressair demais. Em alguns momentos, inclusive, há a ausência quase total de música, deixando o jogador à mercê dos sons ambientes e criando uma sensação de vulnerabilidade constante.

Os efeitos sonoros também são bem utilizados, especialmente durante encontros com os fantasmas. Ruídos distantes, passos, sussurros e outros elementos contribuem para aumentar a tensão e manter o jogador sempre em alerta.

Fluidez constante

O jogo roudou de maneira estável com 75 de fps cravado, além de não ter tantos bugs perceptíveis, sendo o único que ocorreu comigo onde fiquei preso na ponta de uma estátua sem conseguir me mover, então tive que reiniciar o jogo para me livrar disso.

Requisitos do jogo:

  •  Intel i5, 3 GHz
  • 8 GB de RAM
  • GeForce GTX 1650 | AMD RX 580

Configuração que joguei:

  • Intel i5 12400f
  • 16 GB RAM
  • RTX 3060

Uma jornada curta, mas marcante

Narin: The Orange Room é uma experiência de terror que aposta mais na atmosfera e na narrativa do que em mecânicas complexas. Mesmo com um gameplay simples e puzzles pouco desafiadores, o jogo consegue se destacar pelo clima que constrói e pela forma como envolve o jogador em seu mistério.

A história, embora direta, é eficiente em criar interesse e motivar a progressão, principalmente com o elemento emocional envolvendo a irmã de Narin. Já o visual e o design sonoro trabalham juntos para entregar uma ambientação imersiva e, em vários momentos, genuinamente desconfortável.

No fim, trata-se de um jogo que pode agradar bastante quem busca uma experiência mais focada em narrativa e exploração dentro do gênero de terror, sem grandes complicações mecânicas, mas com uma identidade bem definida.

NOTA

8.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

O jogo é uma boa pedida, se mantem na proposta dele e faz isso bem, então por mais que seja curto a experiência, é uma que vale a pena dar uma chance.

Victor Schumacher
Victor Schumacher
Adoro jogos de todos os tipos, sempre tentando ter as experiências mais variadas possíveis.
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