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Imposto de importação sobe para hardware e pode encarecer CPUs e GPUs em até R$ 2 mil

Nova resolução aumenta alíquotas de CPUs, GPUs e memórias para até 20% e pode encarecer PCs em 2026.

O Governo Federal elevou o imposto de importação de mais de mil itens, incluindo componentes de informática como processadores, placas de vídeo, memórias RAM e placas-mãe. A mudança foi oficializada pela Câmara de Comércio Exterior por meio da Resolução GECEX nº 852/2026, já publicada no Diário Oficial da União.

A medida atinge diretamente bens de informática e telecomunicações (BIT). Em diversos casos, as alíquotas que antes eram de 0% ou 2% passam agora para 12,6% ou até 20%, dependendo da classificação fiscal do produto.

Quando começa a valer?

A resolução entra em vigor em duas etapas:

  • Parte das novas alíquotas já está valendo desde 6 de fevereiro de 2026

  • O restante passa a valer em 1º de março de 2026

A aplicação considera a data de registro da Declaração de Importação (DI).

A decisão foi aprovada na 233ª reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão (GECEX), realizada em 28 de janeiro.

Como funciona a tributação?

Cada produto importado é enquadrado por meio da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), código fiscal de oito dígitos utilizado pela Receita Federal para definir a tributação de impostos como:

  • II (Imposto de Importação)

  • IPI

  • PIS/COFINS

  • ICMS

Segundo o Ministério da Fazenda, a importação de bens de capital e informática cresceu mais de 33% desde 2022. Atualmente, produtos importados, principalmente dos Estados Unidos e da China, representam mais de 45% do consumo nacional nesses segmentos.

O impacto no preço final

O aumento do imposto no porto é apenas o começo. O que encarece ainda mais o produto é o chamado “efeito cascata”, já que cada tributo incide sobre a base anterior.

Veja como funciona:

Etapa 1: No porto (importador paga)

Base inicial: CIF (FOB + frete internacional + seguro)

  1. II incide sobre o CIF

  2. IPI incide sobre CIF + II

  3. PIS/COFINS-importação incide sobre CIF + II + IPI

  4. ICMS estadual (ex: 18% no RJ) incide sobre a soma anterior + despesas aduaneiras

Resultado: o chamado “landed cost” pode dobrar ou até triplicar em relação ao valor FOB original.

Etapa 2: Frete interno

Após o desembaraço, o produto segue para o centro de distribuição (SP ou RJ).
O fornecedor adiciona margem de 10% a 15%.

Etapa 3: Distribuidor → Loja

Se houver atacadista no meio do caminho, aplica-se markup de 15% a 25% para cobrir logística e estoque.

Etapa 4: Loja →Consumidor

A loja aplica margem de 25% a 40%, considerando:

  • Aluguel

  • Funcionários

  • Energia

  • Tributação adicional

O consumidor final pode ver aumentos de 30% a 60% sobre o valor FOB original.

Quanto isso representa na prática?

O aumento do II de 0–2% para 12–20% pode gerar:

  • R$ 300 a R$ 600 extras por componente já na importação

  • Após o efeito cascata, o valor final no varejo pode subir R$ 1.000 a R$ 2.000 por peça, dependendo do produto

Componentes de maior valor agregado, como GPUs topo de linha e processadores premium, tendem a sentir o maior impacto.

O que esperar do mercado?

  • Possível alta imediata nos estoques futuros

  • Variação de preços entre lotes antigos (ainda com imposto menor) e novos

  • Aumento da busca por mercado de usados

  • Pressão sobre montadores e integradores de PCs

Caso não haja revisão das alíquotas, o cenário pode impactar diretamente o custo de upgrades e novos computadores ao longo de 2026.

Marina Jagmin
Marina Jagmin
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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