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Preview | Starship Troopers: Ultimate Bug War! (PC)

O Espetáculo do Extermínio e a Sátira que se Pode Tocar: Primeiras Impressões de Starship Troopers: Ultimate Bug War!

Ao iniciar de um novo título da franquia Starship Troopers é, para qualquer um que tenha sido marcado pelo cinismo brilhante de Paul Verhoeven, um exercício de constante vigilância. Existe sempre o medo de que a próxima iteração esqueça que a força daquela obra não residia apenas nos insetos gigantes sendo explodidos, mas na forma como ela nos fazia rir da própria barbárie que consumíamos como entretenimento. Por isso, ao testar esta versão de PC, senti um misto de ceticismo e uma curiosidade quase infantil. O que encontrei não foi um atirador genérico, mas uma peça de propaganda interativa que nos convida, com um sorriso irônico, a fazer a nossa parte.

Starship Troopers: Ultimate Bug War!

Entre Medalhas, Cicatrizes e a Mentira de Estado

A narrativa desta prévia é, sem dúvida, o seu maior trunfo. Ambientado 25 anos após o filme original, o jogo nos coloca sob o olhar da Major Samantha “Sammy” Dietz. Mas o que torna tudo verdadeiramente irresistível é a presença de Casper Van Dien, que retorna como General Johnny Rico em transmissões de vídeo de alta fidelidade. Ver Rico na tela, com o carisma cego de um recrutador nato, faz com que cada missão pareça menos um objetivo de jogo e mais uma ordem direta de um governo que nos ama o suficiente para nos deixar morrer por ele. É uma escolha de tom absolutamente acertada; estamos jogando uma memória filtrada pelo patriotismo e pelo trauma.

Starship Troopers: Ultimate Bug War!

A Coreografia Brutal da Infantaria Móvel

Na jogabilidade, o título toma decisões corajosas. Ele se veste de “retro shooter”, mas não se engane: a cadência aqui é outra. O movimento é pesado, deliberado, lembrando quase um clássico de guerra da era dourada do PlayStation 2, mas com uma escala de caos que seria impossível naquela época. Você nunca está sozinho. O campo de batalha é preenchido por dezenas de soldados da Infantaria Móvel que lutam e morrem ao seu lado. Não é sobre sua habilidade individual de esquiva, mas sobre como você gerencia o avanço de uma horda biológica avassaladora. É visceral, é barulhento e, acima de tudo, é recompensador.

Starship Troopers: Ultimate Bug War!

O Charme da Dissonância e o Rugido de Poledouris

Mecanicamente, o jogo flerta com o passado e o presente. O arsenal é um deleite: a Morita MK1 tem um “punch” sonoro que é essencial para a satisfação do combate. Mas o verdadeiro brilho surge no controle do M7 Razorback, um bípede mecânico que transforma a infantaria em uma força de natureza destrutiva. Visualmente, a escolha é de uma audácia deliciosa: insetos em 3D contra soldados representados por sprites em 2D. É uma mistura que cria um visual único, focado na clareza da ação e na quantidade de elementos na tela. E tudo isso embalado por uma trilha que evoca o trabalho lendário de Basil Poledouris, elevando o batimento cardíaco assim que o primeiro tiro é disparado.

Starship Troopers: Ultimate Bug War!

A Realidade do Hardware sob o Sol de Zegema Beach

Ao testar no meu setup, um Ryzen 7 5700x com uma RTX 4060 e 32 GB de RAM, percebi que a aparência retrô esconde uma exigência técnica considerável. O jogo demanda muito do processador para gerenciar a inteligência artificial de centenas de entidades simultâneas. Em momentos de defesa intensa nas praias de Zegema, a estabilidade do frame rate torna-se um campo de batalha à parte. Notei alguns engasgos que pedem uma otimização mais fina para o lançamento, mas nada que arruine a experiência. Para quem busca fluidez, travar a performance em 60 FPS e desabilitar distrações em segundo plano é o caminho para o extermínio perfeito.

Starship Troopers: Ultimate Bug War!

Um Grito de Guerra que se Recusa a Morrer

Minhas primeiras impressões deixam um sabor metálico e excitante na boca. O jogo ousa ser diferente em um mercado saturado de fotorrealismo sem alma. Ele nos devolve a agência de uma campanha solo focada na narrativa e na escala épica. Se o objetivo era nos convencer de que a guerra contra os bugs é gloriosa, o jogo falha magnificamente e é exatamente aí que ele triunfa como obra de arte. Ele nos faz querer jogar mais, não porque acreditamos na causa, mas porque o espetáculo do absurdo é irresistível. A pergunta do General Rico ressoa: “Você gostaria de saber mais?”. Pela primeira vez em muito tempo, minha resposta é um “sim” absoluto.

Gustavo Feltes
Gustavo Feltes
Eu amo jogar, jogar é uma parte de mim. Cada história, momento, universo e gameplay me encantam. Eu não tenho restrições de jogos, cada célula do meu corpo clama por isso.
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