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Review | LOST EMBER: Rekindled Edition (PC)

Lost Ember: Rekindled Edition não é um jogo que você “joga”.
É um jogo que você atravessa.

Ele não chega gritando, não te segura pela mão nem te explica tudo. Ele sussurra. Te convida a andar devagar, a observar, a sentir. É daqueles jogos que parecem simples à primeira vista, mas que carregam um peso emocional que vai se acumulando aos poucos, quase imperceptível, até que te pega desprevenida.

Aqui não há placares, não há urgência, não há pressa. O que existe é um mundo em ruínas, silencioso, belo e triste, esperando que alguém esteja disposto a escutar suas memórias espalhadas pelo chão.

Lost Ember Rekindled Edition review

Lost Ember é sobre o fim.
Mas também é sobre aquilo que insiste em permanecer.

HISTÓRIA

A história de Lost Ember é contada em fragmentos, como se o próprio mundo estivesse tentando lembrar quem foi.

Você controla um lobo, acompanhado por uma pequena chama espiritual. Não sabemos quem fomos de imediato. Não sabemos por que estamos ali. E o jogo não tem pressa alguma em nos contar. Ele confia no silêncio, nos espaços vazios, na curiosidade do jogador.

Aos poucos, descobrimos que aquele mundo já foi habitado por uma civilização avançada, agora reduzida a ruínas cobertas pela natureza. Estátuas quebradas, templos soterrados, caminhos esquecidos. Tudo ali carrega a sensação de algo que foi grande… e caiu.

A narrativa fala sobre escolhas, culpa, orgulho e consequências. Não de forma moralista, mas humana. Não existem vilões claros. Existem decisões. E decisões sempre cobram seu preço.

Lost Ember Rekindled Edition review

O mais bonito da história é que ela não tenta te chocar. Ela te respeita. Ela confia que você vai sentir. E quando finalmente entende o todo, não é um soco, é um aperto silencioso no peito.

GAMEPLAY

O gameplay de Lost Ember é propositalmente simples. E isso não é um defeito, é uma escolha.

Você explora ambientes abertos, resolve pequenos puzzles ambientais e avança pela narrativa no seu próprio ritmo. Não há combate. Não há morte punitiva. O jogo quer que você observe, caminhe, salte, escale e… contemple.

Uma das ideias mais interessantes é a habilidade de incorporar outros animais. Cada um traz uma forma diferente de interagir com o mundo: aves para voar, peixes para nadar, animais maiores para força e resistência. Isso adiciona variedade à exploração sem quebrar a proposta calma do jogo.

Lost Ember Rekindled Edition review

Não é um gameplay que vai agradar quem busca desafio técnico ou adrenalina. Ele é quase meditativo. Às vezes até lento demais, dependendo do momento e da expectativa do jogador. Mas quando você entra no ritmo dele, tudo flui como uma caminhada sem destino certo, apenas curiosidade.

MECÂNICAS

As mecânicas seguem a mesma filosofia minimalista do resto do jogo. Tudo é intuitivo, quase orgânico.

Trocar de animal é simples e rápido. Cada criatura tem habilidades claras, sem excesso de comandos ou sistemas complexos. O jogo não quer que você pense demais, quer que você sinta o ambiente.

Os puzzles são leves, baseados principalmente em observação e lógica ambiental. Nada que trave a progressão ou que gere frustração. Eles existem mais para te fazer interagir com o cenário do que para te desafiar.

Lost Ember Rekindled Edition review

O controle do lobo é fluido, mas em alguns momentos pode parecer um pouco “leve demais”, especialmente em saltos ou mudanças bruscas de direção. Não chega a atrapalhar, mas quebra levemente a imersão em situações mais delicadas.

No geral, tudo funciona como deveria, mesmo sem brilhar tecnicamente. As mecânicas são simples, mas coerentes com a proposta narrativa.

VISUAL E ÁUDIO

Aqui é onde Lost Ember realmente se destaca.

Visualmente, o jogo é lindo de uma forma melancólica. Não é um realismo absurdo, mas uma arte estilizada que mistura cores suaves, iluminação natural e cenários amplos. Cada área parece pintada para transmitir sensação, não apenas beleza.

As ruínas têm peso. A natureza parece viva. O mundo transmite abandono sem parecer vazio. Existe uma harmonia entre decadência e serenidade que é difícil de explicar, mas fácil de sentir.

Lost Ember Rekindled Edition review

O áudio é um espetáculo à parte. A trilha sonora é discreta, quase tímida, entrando apenas quando precisa. Ela não tenta te manipular emocionalmente, apenas acompanha. Sons ambientes, vento, passos, água, ecos distantes, fazem muito do trabalho narrativo.

E a narração… suave, introspectiva, quase confessional. Ela não narra o mundo, ela narra a consciência. É daquelas vozes que parecem conversar diretamente com o jogador, como se estivesse compartilhando um segredo antigo.

DESEMPENHO

Testei Lost Ember: Rekindled Edition nas minhas configurações Placa de vídeo: RTX 4060, Memória RAM: 32 GB, Processador: Ryzen 7 5700 e…

No geral, o desempenho é bom, rodando em configurações altas sem grandes dificuldades. Porém, mesmo com um setup mais robusto, o jogo apresentou alguns momentos de lag e quedas de frame, principalmente em áreas mais abertas ou com muitos elementos visuais simultâneos.

Esses drops não são constantes, mas perceptíveis. Eles não chegam a quebrar completamente a experiência, porém chamam atenção justamente por se tratar de um jogo contemplativo, onde qualquer engasgo técnico interrompe o clima de imersão.

Não encontrei bugs graves ou crashes, mas o desempenho poderia ser mais polido, especialmente considerando a proposta mais tranquila do jogo. Nada que torne o jogo injogável, mas é algo que merece ser mencionado.

CONCLUSÃO

Lost Ember: Rekindled Edition não é para todo mundo.
E ele sabe disso.

É um jogo para quem gosta de silêncio. Para quem aceita caminhar sem objetivo claro. Para quem entende que nem toda história precisa de explosões, chefes ou reviravoltas mirabolantes.

Ele fala sobre perda, arrependimento e memória com uma delicadeza rara nos jogos atuais. Não tenta impressionar, apenas existir. E talvez seja exatamente isso que o torna tão especial.

Tecnicamente, ele poderia ser mais refinado. O desempenho tem seus tropeços e o gameplay não vai agradar quem busca desafio. Mas emocionalmente? Ele entrega algo sincero.

Lost Ember é como revisitar um lugar que você nunca esteve, mas que, de alguma forma, parece familiar. Um lembrete de que tudo passa, civilizações, histórias, pessoas, mas algumas emoções insistem em ficar.

E às vezes, tudo o que um jogo precisa fazer…
é caminhar ao seu lado por um tempo.

NOTA

7.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

Um mundo em ruínas, memórias fragmentadas e uma jornada silenciosa que pesa mais no coração do que nas mãos. Se você gosta de jogos que caminham devagar, mas ficam por muito tempo, esse aqui merece ser vivido.

Marina Jagmin
Marina Jagmin
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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