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Review | Torment Souls 2 (PC)

Um retorno elegante ao survival horror clássico, onde atmosfera, tensão e simbolismo psicológico falam mais alto do que o próprio terror.

Há jogos que não apenas assustam, eles perturbam.
Não pela violência, nem pelo sangue, mas por aquele tipo de silêncio que fala mais alto que qualquer grito. Tormented Souls 2 é exatamente isso: um eco sombrio dos clássicos que definiram o horror de sobrevivência, agora renascido sob a luz trêmula de velas e memórias distorcidas. É o tipo de experiência que não apenas mexe com seus nervos, mas também com algo mais profundo, aquela parte da alma que ainda acredita que o medo pode ser belo.

Desde os primeiros minutos, o jogo te envolve com um ar pesado, quase sagrado, como se o próprio ambiente tivesse consciência da sua presença. Cada passo que você dá soa como uma invasão, cada sombra parece viva, cada sala parece guardar um segredo que preferiria continuar esquecido. E é nessa atmosfera de desconforto que Tormented Souls 2 encontra sua força: ele não tenta reinventar o terror, ele o reencarna, com sutileza, respeito e um toque cruel de elegância.

HISTÓRIA

Em Tormented Souls 2, acompanhamos novamente Caroline Walker, agora tentando reconstruir a vida após os horrores do passado. Sua paz é quebrada quando algo terrível acontece com sua irmã, levando-a até um vilarejo esquecido no interior do México, onde antigas crenças e rituais distorcidos misturam fé, sofrimento e loucura.

O local parece vivo, respirando dor em cada parede. A história se revela em fragmentos, cartas, símbolos e ecos do passado, tecendo uma trama onde o sobrenatural e o psicológico se confundem.
Mais do que lutar contra monstros, Caroline enfrenta as próprias sombras.
É uma jornada sobre culpa, redenção e o preço de se desafiar o desconhecido.

GAMEPLAY

O gameplay de Tormented Souls 2 é um retorno consciente ao estilo clássico do survival horror, e isso é dito com orgulho. Tanques de movimento, câmera fixa, puzzles complexos e o eterno dilema entre gastar munição ou fugir no escuro.
Mas há algo de muito moderno na maneira como o jogo faz isso: a movimentação, apesar de inspirada nos anos 90, é fluida, e o combate tem um peso satisfatório, tenso, sem jamais te deixar confortável.

O jogo quer que você pense antes de agir. Quer que cada passo seja medido. Que cada confronto tenha consequência. Não é sobre matar tudo o que se move, é sobre sobreviver, sobre saber quando enfrentar e quando recuar.

Os puzzles são um espetáculo à parte. Criativos, cruéis, mas nunca injustos. Eles te fazem observar o ambiente com atenção, ler documentos, entender símbolos e padrões. É o tipo de desafio que recompensa quem presta atenção, e não quem tem pressa.
E isso, hoje em dia, é raro. Tormented Souls 2 é um jogo que pede calma, e te pune quando você tenta apressá-lo.

A progressão é marcada por uma sensação constante de vulnerabilidade. Mesmo com boas armas e itens, você nunca se sente poderoso. E isso é perfeito. O horror não vem da

 dificuldade, mas da tensão de saber que a próxima porta pode ser a última que você abre.

MECÂNICAS

As mecânicas são o coração pulsante do jogo, e elas brilham justamente por sua simplicidade eficaz. O inventário é prático e visualmente limpo, lembrando os sistemas de Resident Evil e Silent Hill, mas com uma identidade própria.
Há uma lógica em tudo o que o jogo faz, desde o gerenciamento de recursos até o sistema de save manual, que te obriga a pensar antes de gravar o progresso.

A lanterna, mais uma vez, é uma extensão do seu medo. É a linha tênue entre ver e ser visto. A iluminação dinâmica cria momentos em que a luz parece viva, e apagar a lanterna, por medo de chamar atenção, torna-se uma escolha quase instintiva.
As mecânicas também evoluíram discretamente: a movimentação tem mais peso, as animações estão mais naturais, e o combate, embora propositalmente limitado, é mais responsivo. O jogo não quer que você lute bem, ele quer que você lute com medo.

Outro detalhe notável é como o jogo usa o som e o espaço. O design de ambiente é quase um quebra-cabeça tridimensional. Salas interligadas, caminhos secretos, chaves estranhas, portas trancadas que te fazem dar voltas e voltas… e quando você finalmente entende a lógica daquele lugar, ele já se tornou familiar demais, e isso te deixa desconfortável.

Tormented Souls 2 entende que o verdadeiro terror está em se sentir “em casa” em um lugar que você sabe que quer te matar.

VISUAL E ÁUDIO

Visualmente, o jogo é uma obra sombria.
Os desenvolvedores usaram o poder dos novos hardwares não para brilhar, mas para escurecer, e o resultado é deslumbrante. Cada textura parece úmida, cada parede carrega séculos de sofrimento, cada reflexo distorcido parece uma lembrança.
Há uma atenção absurda aos detalhes. Quadros que parecem observar você, manchas que sugerem histórias antigas, objetos que contam mais do que muitos diálogos. O uso de cores é deliberado: tudo respira decadência, e mesmo os momentos de beleza parecem contaminados.

A iluminação é o ponto alto, luz e sombra não são apenas estética, são narrativa. Um simples feixe de luz sobre uma cruz, um rosto ou um corredor vazio pode transformar o tom de uma cena inteira.
É uma linguagem visual que fala sem precisar dizer nada.

No som, o jogo é magistral.
O áudio é mais do que suporte, é a alma do terror.
Os passos lentos ecoando, os rangidos que parecem responder aos seus movimentos, o som distante de algo arrastando no escuro. A trilha sonora é contida, minimalista, mas emocionalmente devastadora.
Há notas que lembram velhas canções de igreja, há ruídos metálicos que soam quase como respiração, e há silêncios, longos, incômodos, que te obrigam a ouvir o próprio coração.
É o tipo de design sonoro que transforma o fone de ouvido em uma prisão.

DESEMPENHO

No aspecto técnico, Tormented Souls 2 surpreende.
Rodou muito bem nas minhas configurações, Ryzen 7 5700, 32GB de RAM, RTX 4060 e B550M, com desempenho sólido, taxas de quadro estáveis e tempos de carregamento rápidos. Mesmo com toda a riqueza visual e iluminação dinâmica, o jogo manteve uma fluidez invejável.
Os bugs são mínimos, e a otimização é claramente cuidadosa. O motor gráfico entrega o que promete: ambientes detalhados, sombras consistentes e transições suaves.

O único ponto que pode incomodar alguns é a rigidez proposital da movimentação, mas isso é uma escolha de design, não falha.
Ele quer parecer “duro”, quer que cada movimento seja pesado, porque no mundo de Tormented Souls 2, nada deve ser leve.
E nesse sentido, ele acerta em cheio.

CONCLUSÃO

Tormented Souls 2 é mais do que uma sequência, é uma carta de amor ao horror clássico e, ao mesmo tempo, uma reflexão moderna sobre o medo.
É o tipo de jogo que te faz lembrar que o terror não está nos monstros, mas no som do próprio pensamento quando o mundo fica em silêncio.

Ele não tenta agradar a todos. Não quer ser fácil, nem acessível. Quer ser uma experiência. Uma que te marca, te faz hesitar antes de abrir uma porta, e te faz olhar para o reflexo da tela quando tudo termina, só para ter certeza de que está mesmo sozinha no quarto.

É um jogo sobre ecos, sobre memórias distorcidas e sobre a beleza mórbida do desconhecido.
E se o primeiro Tormented Souls foi uma homenagem, o segundo é a coroação.
Um retorno triunfal às origens do terror, onde cada passo é poesia e cada sombra é uma confissão.

NOTA

8.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

É um jogo que não apenas se joga… se sente. E quando ele termina, parte dele continua com você, silencioso, respirando, esperando o próximo escuro.

Marina Jagmin
Marina Jagmin
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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