Desde que vi o anúncio de Echoes of Aincrad, fiquei fascinado. Não apenas pelo retorno ao arco mais icônico da franquia, mas principalmente pelas mecânicas prometidas e pela proposta de recriar a experiência de viver dentro de Aincrad, pela primeira vez não como Kirito, mas como um jogador comum. Após passar um tempo jogando o novo titulo, posso dizer sem dúvida, Echoes of Aincrad é, até o momento, a melhor adaptação de Sword Art Online para os videogames.
Durante anos, os jogos da franquia tentaram capturar a sensação de explorar Aincrad, mas quase sempre acabavam seguindo histórias alternativas ou se afastando demais da proposta original. Desta vez, a Bandai Namco parece ter entendido exatamente o que os fãs queriam. O resultado é uma experiência que busca colocar o próprio jogador dentro daquele mundo que marcou uma geração de fãs de anime.
De volta ao castelo flutuante
A história de Echoes of Aincrad se passa durante os acontecimentos da primeira temporada de Sword Art Online. Mais uma vez estamos presos dentro do mundo criado por Kayaba Akihiko, onde a única forma de escapar é finalizar os cem andares do gigantesco castelo flutuante conhecido como Aincrad.
A premissa continua sendo tão interessante hoje quanto era quando o anime estreou. Cem andares repletos de monstros, chefes, segredos e jogadores tentando sobreviver em um ambiente onde a morte tem consequências permanentes.
Entretanto, existe uma limitação importante no lançamento inicial. O jogo conta apenas com dois andares disponíveis. Quando descobri isso pela primeira vez, admito que fiquei um pouco decepcionado. Afinal, falar de Aincrad inevitavelmente faz qualquer fã querer completar todos os 100 andares.
Mas depois de explorar, essa preocupação diminuiu bastante. Os dois andares presentes possuem um nível impressionante de detalhamento. Existem áreas inéditas que nunca haviam aparecido antes no anime, além de diversos locais clássicos que os fãs reconhecerão imediatamente.
A cidade inicial, o mercado central, a praças principal e diversas construções icônicas foram recriadas com um cuidado enorme. É uma daquelas situações em que a qualidade acaba compensando a falta de quantidade.
Um combate digno
Se existe algo que define Echoes of Aincrad, é o combate. Os títulos anteriores da franquia frequentemente apresentavam sistemas competentes, mas raramente conseguiam transmitir a intensidade vista no anime. Aqui a situação é diferente.
O jogador possui liberdade total para equipar diferentes armas, armaduras, habilidades e itens utilitários. Isso cria uma quantidade interessante de possibilidades para enfrentar os desafios do jogo.

Cada equipamento influencia diretamente a forma de jogar. Algumas habilidades favorecem confrontos rápidos e agressivos, enquanto outras oferecem vantagens defensivas ou suporte para grupos.
Durante a gameplay, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a escala das batalhas. Em diversos momentos me vi enfrentando múltiplos inimigos simultaneamente, utilizando habilidades em sequência. Pela primeira vez em muito tempo, senti que estava participando de algo ao menos próximo das batalhas mostradas no anime. Ver cada hit e inimigo derrotado sendo transformado nos icônicos cubos transparentes foi uma sensação que eu não sabia que precisava, mas fico muito feliz em ter experimentado.
O sistema de parceiros também é um ponto tão essencial que é impossível esquecê-lo. Apoiando-se fortemente na sinergia com seus aliados, você precisa alterar sua postura para obter um resultado satisfatório. Focar em uma abordagem extremamente ofensiva pode ser tão prejudicial quanto não fazer nada.
O sistema consegue equilibrar acessibilidade e profundidade. Novos jogadores conseguem entender rapidamente os fundamentos, enquanto jogadores mais experientes encontram espaço para experimentar diferentes builds e estratégias.
Imersão acima de tudo
A Bandai Namco também tomou algumas decisões inteligentes para reforçar a sensação de estar preso dentro de Aincrad.
Uma das mais interessantes é a ausência do botão de logout. Assim como acontece na história original, simplesmente não existe uma opção para sair do jogo. Pode parecer um detalhe pequeno, mas funciona muito bem para criar atmosfera.
Durante toda a campanha existe aquela sensação constante de que você realmente está participando de um Jogo da Morte.
Outro detalhe interessante é a presença dos sistemas clássicos de teleporte, comerciantes, áreas seguras e interação com NPCs, todos iguais ao anime. Tudo isso ajuda a reforçar a ideia de um MMORPG vivo, onde os jogadores constroem suas próprias histórias enquanto avançam pelos andares.
Também é o primeiro jogo da franquia em que você não assume o papel de Kirito. Diferente dos títulos anteriores, podemos criar nosso próprio personagem do zero, escolhendo aparência, cabelos, olhos e diversos outros aspectos visuais.
Essa liberdade de personalização faz com que a experiência pareça ainda mais autêntica. Pela primeira vez, não estamos apenas acompanhando a história de alguém. Estamos vivendo a nossa própria história dentro de Aincrad.
E é exatamente esse tipo de detalhe que diferencia Echoes of Aincrad de adaptações anteriores.
Death Game Mode para quem quer viver Sword Art Online de verdade
Talvez a funcionalidade mais ambiciosa do jogo seja o Death Game Mode. Esse modo recria uma das características mais marcantes da obra original: o risco permanente.

Ao morrer, o jogador perde completamente seu progresso, incluindo o save do personagem. É um sistema extremamente punitivo, mas que representa com fidelidade o conceito central de Sword Art Online.
Claro que não será um modo para todos. Muitos jogadores provavelmente preferirão aproveitar a campanha principal sem correr esse risco.
Mas para quem sempre quis experimentar a tensão de viver em Aincrad da forma mais próxima possível do anime, essa mecânica adiciona um nível de imersão difícil de encontrar em outros jogos.
Visual e áudio recriam a magia do anime
Visualmente, Echoes of Aincrad encontra um excelente equilíbrio entre fidelidade ao anime e modernização gráfica.
O estilo artístico mantém aquele visual característico da franquia, mas utiliza tecnologias atuais para criar cenários mais detalhados, personagens mais expressivos e ambientes mais vivos.
A direção de arte merece destaque especial. Aincrad continua sendo um dos mundos mais bonitos já criados dentro dos animes, e o jogo faz um ótimo trabalho em transmitir essa sensação.
Os campos abertos, cidades movimentadas e masmorras carregam a mesma identidade visual que tornou o anime tão marcante. E o áudio acompanha esse alto nível de qualidade.
Cada golpe, habilidade e efeito sonoro ajuda a reforçar a sensação de estar dentro daquele universo. Durante os combates mais intensos, a trilha sonora consegue capturar perfeitamente a mistura de aventura, tensão e perigo que sempre definiu a série.
Para fãs antigos, vários momentos despertam uma forte sensação de nostalgia.
Desempenho
Testamos Echoes of Aincrad em um sistema equipado com um I5 14400F, RTX 4060 Ti, e 32GB de RAM. Durante toda a gameplay fechada, o desempenho foi excelente.
O jogo manteve uma experiência extremamente fluida, sem travamentos, stuttering ou quedas significativas de desempenho. Mesmo em áreas mais movimentadas ou durante batalhas com diversos inimigos simultaneamente, a estabilidade permaneceu consistente.
Os resultados são bastante promissores para o lançamento oficial que aconteçará mês que vem.
Vale a pena?
Echoes of Aincrad representa algo que muitos fãs esperavam há anos: uma adaptação que realmente entende o que torna Aincrad especial.
Mesmo com apenas dois andares disponíveis inicialmente, o nível de detalhamento, a qualidade da ambientação e o excelente sistema de combate fazem com que a experiência seja extremamente envolvente.
O Death Game Mode, a recriação fiel do mundo original e o foco em imersão ajudam a transformar o jogo em muito mais do que apenas mais um título licenciado.
Para fãs de Sword Art Online, Echoes of Aincrad é facilmente uma das adaptações mais autênticas já produzidas. Para novos jogadores, é uma excelente oportunidade de conhecer o universo da franquia através de uma experiência que finalmente faz justiça ao material original.
