Uma ascensão ao lado da morte no Monte Kami. Desenvolvido e publicado pela The Game Bakers, Cairn é um jogo de aventura e exploração que coloca o foco total na escalada. A experiência acompanha Aava, uma alpinista experiente que decide enfrentar o maior desafio de sua vida: alcançar o topo do Monte Kami, um local envolto em mistério e conhecido por ser inalcançável, já que nenhum alpinista conseguiu chegar ao cume até então. A proposta do jogo é simples em conceito, mas profunda em execução, transformando a escalada em algo tenso, técnico e constantemente ameaçador.
A ascensão de Aava em Cairn
Logo de cara é apresentada Aava, uma alpinista veterana que decide encarar o Monte Kami sozinha, contando apenas com o apoio de um robô que a acompanha ao longo da escalada. Esse robô não é apenas um companheiro silencioso, mas também um elemento narrativo importante, já que é por meio dele que mensagens são reproduzidas, vindas de Chris, um homem que mantém contato direto com Aava durante sua jornada.
Pouco tempo depois, é revelado que toda a escalada está sendo registrada e acompanhada por diversas pessoas. Existe uma expectativa constante em torno do destino de Aava, quase como se o mundo estivesse aguardando para ver se ela terá um final diferente do de outros tantos alpinistas que perderam suas vidas tentando escalar o Monte Kami. Essa ideia adiciona uma camada interessante à narrativa, criando uma sensação de pressão invisível, mesmo em um ambiente extremamente solitário.
A história não é contada de forma invasiva ou expositiva. Pelo contrário, Cairn aposta em uma narrativa mais contida, onde o silêncio, os áudios reproduzidos pelo robô e o próprio ambiente ajudam a construir o peso da jornada. A solidão constante reforça o clima de isolamento e faz com que cada pequeno progresso seja sentido como uma vitória pessoal de Aava.

Controle total do corpo
A jogabilidade é o grande destaque de Cairn. O jogo apresenta uma mecânica de escalada bastante detalhada, tornando a experiência ao mesmo tempo desafiadora e recompensadora. É possível controlar separadamente os braços e as pernas de Aava, exigindo atenção total ao posicionamento do corpo na parede. Essa abordagem torna cada subida quase um pequeno quebra-cabeça, onde é necessário analisar o terreno antes de agir.
A flexibilidade da personagem é impressionante, mas não ilimitada. Dependendo do posicionamento durante a escalada, Aava pode perder completamente o fôlego, o que resulta em uma queda que pode ser fatal, dependendo da altura. O gerenciamento de resistência se torna essencial, e ignorar esse fator quase sempre leva a erros graves.

Existem alguns equipamentos que auxiliam diretamente na escalada. Os pítons, por exemplo, funcionam como pontos seguros fixados na parede. Caso Aava caia, ela não despenca até a morte, mas fica presa ao último píton instalado. Esses equipamentos podem ser recolhidos posteriormente pelo robô companheiro, o que incentiva o uso estratégico e consciente dos recursos disponíveis.
Outro equipamento importante é aquele que aumenta a aderência nas paredes, permitindo que Aava se pendure em superfícies um pouco mais lisas. Mesmo assim, o jogo nunca facilita demais a escalada. Cada ajuda tem limites claros, e confiar excessivamente em um único recurso pode ser um erro fatal.
O desafio de continuar vivo
Além da escalada em si, Cairn também apresenta sistemas de sobrevivência que enriquecem a experiência. O jogo permite montar um bivaque, que funciona como um ponto de descanso e gerenciamento. Nesse local, é possível salvar o progresso, organizar a mochila e preparar alimentos que afetam diretamente os status de Aava.

Esses alimentos podem regenerar vida, reduzir fome e sede, recuperar fôlego e até ajudar no controle da temperatura corporal. A temperatura, inclusive, é um fator importante, já que mudanças climáticas afetam diretamente a escalada. Ventos fortes, frio intenso e outras variações do ambiente podem transformar um trecho relativamente seguro em um verdadeiro pesadelo.
No bivaque também é possível passar o tempo, algo essencial para lidar com condições climáticas desfavoráveis. Além disso, o jogo permite consertar pítons que foram danificados ao longo do caminho e enfaixar as mãos de Aava quando estão machucadas. Mãos feridas dificultam a escalada, tornando os movimentos mais lentos e arriscados, o que adiciona mais uma camada de tensão à jornada.
O silêncio da montanha e a imersão constante
Cairn entrega uma experiência de ambientação extremamente competente. A trilha sonora é sutil, dando espaço para sons ambientais como o vento cortando a montanha, a respiração pesada de Aava e os passos mecânicos do robô companheiro. Esses elementos sonoros trabalham juntos para criar uma imersão constante, fazendo com que o silêncio seja tão importante quanto a música.
A ausência de trilhas intensas durante a maior parte do tempo reforça a sensação de isolamento e perigo. Cada ruído ganha importância, e até mesmo momentos de calmaria carregam uma tensão implícita, como se a montanha estivesse sempre à espera de um erro.
Um estilo artístico que valoriza a exploração natural
Visualmente, Cairn é muito competente. O jogo evita soluções artificiais comuns em títulos de escalada, como o uso excessivo de marcações visuais óbvias. Não há tinta amarela espalhada por todos os lugares indicando exatamente onde subir. Em vez disso, o design de cenário aposta em caminhos mais naturais, deixando a decisão nas mãos de quem está no controle.

Isso reforça a sensação de exploração e recompensa a observação cuidadosa do ambiente. Encontrar um bom caminho não é algo automático, mas fruto de análise e tentativa. O design de arte segue um estilo mais cartoon, mas sem perder a sensação de um ambiente vivo, perigoso e implacável.
Mesmo sendo um lugar solitário, o Monte Kami transmite personalidade. Cada trecho da escalada parece contar uma história silenciosa, reforçando a ideia de que aquele local já foi palco de inúmeras tentativas fracassadas.

Desempenho em escalada
O jogo não apresentou bugs significativos ou um desempenho ruim, muito pelo contrário, Cairn rodou de uma forma consistente a todo momento, cravado aos 60 de FPS.
Requisitos do jogo:
- PROCESSADOR: Intel Core i7-10700 (8 * 2900), AMD Ryzen 7 3700X (8 * 3600) or equivalent
- MEMÓRIA: 8 GB de RAM
- PLACA DE VÍDEO: Geforce RTX 2060 Super (6144 MB), Radeon RX 5700 (8192 MB)
Joguei o jogo na seguinte configuração:
- PROCESSADOR: Intel Core i5 12400f
- MEMÓRIA: 16 GB de RAM
- PLACA DE VÍDEO: RTX 3060
Cairn transforma a escalada em uma experiência intensa e memorável
Cairn é uma experiência intensa, focada e corajosa em sua proposta. Ao transformar a escalada no centro absoluto da jogabilidade, o jogo consegue entregar tensão, desafio e imersão de forma consistente. Não é uma experiência para quem busca ação constante ou recompensas rápidas, mas sim para quem aprecia um ritmo mais contemplativo e punitivo.
A jornada de Aava pelo Monte Kami é solitária, perigosa e cheia de decisões difíceis, e é justamente isso que torna Cairn tão memorável. Cada avanço é conquistado com esforço, cada erro tem peso, e cada vitória, por menor que seja, traz uma sensação genuína de superação.

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