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Call of the Elder Gods entrega um dos melhores puzzles e mistérios de 2026 | Review (PC)

Um chamado impossível de ignorar

Existem jogos que tentam te assustar através de monstros, sustos ou cenas chocantes. Call of the Elder Gods segue um caminho completamente diferente. Ele entende que o verdadeiro horror cósmico não está naquilo que você vê, mas sim naquilo que começa a compreender aos poucos. E talvez seja exatamente isso que torna essa experiência tão especial.

Como sequência de Call of the Sea, o jogo expande tudo o que o antecessor fazia bem. Os cenários são maiores, os quebra-cabeças são mais elaborados e a narrativa mergulha ainda mais fundo no universo inspirado pelas obras de H.P. Lovecraft, especialmente “A Sombra Fora do Tempo”. O resultado é uma aventura que mistura mistério, exploração e puzzles de uma forma extremamente envolvente, sem nunca depender de combate ou ação exagerada para manter seu interesse.

Uma jornada sobre perdas, memórias e o desconhecido

A história acompanha o professor Harry Everhart, que muitos jogadores já conheceram em Call of the Sea, e Evangeline Drayton, uma estudante atormentada por visões misteriosas ligadas a artefatos antigos e eventos que desafiam qualquer explicação lógica. Quando seus caminhos se cruzam, ambos acabam embarcando numa investigação que os leva para diferentes partes do mundo em busca de respostas sobre desaparecimentos, civilizações esquecidas e entidades que existem muito além da compreensão humana.

Call of the Elder Gods review

O que mais gostei na narrativa foi justamente o fato de ela não girar apenas em torno dos mistérios cósmicos. Existe um lado extremamente humano em toda a jornada. Tanto Harry quanto Evangeline carregam dores, perdas e arrependimentos que acabam se tornando tão importantes quanto os próprios mistérios sobrenaturais. Em muitos momentos, a história fala mais sobre luto, família e aceitação do que sobre os próprios Deuses Antigos.

Claro, nem tudo funciona perfeitamente, a narrativa perde força perto do final e certos antagonistas não recebem o desenvolvimento que mereciam. Ainda assim, durante grande parte da campanha, a curiosidade de descobrir o que realmente está acontecendo é mais do que suficiente para manter você completamente envolvido.

Um verdadeiro teste para o cérebro

Se existe uma área onde Call of the Elder Gods realmente brilha, é nos seus quebra-cabeças. O jogo inteiro gira em torno da exploração e resolução de enigmas, e felizmente eles estão entre os melhores que joguei nos últimos anos dentro do gênero.

Ao contrário de muitos jogos modernos que praticamente entregam a solução na sua frente, aqui você precisa observar cenários, ler documentos, interpretar símbolos e conectar informações por conta própria. Em vários momentos eu me vi parada analisando uma sala inteira, tentando entender como todas aquelas pistas se relacionavam. E quando a solução finalmente aparecia, a sensação de recompensa era enorme.

Call of the Elder Gods review

O jogo também se beneficia bastante da sua estrutura mais variada. Em vez de passar toda a aventura em um único local, a história leva os personagens para diferentes regiões do mundo, incluindo universidades, ruínas antigas, instalações abandonadas e locais diretamente ligados aos mitos lovecraftianos. Isso ajuda muito a manter a sensação constante de descoberta.

Simples na superfície, inteligentes na execução

As mecânicas seguem uma estrutura relativamente simples. Você explora ambientes em primeira pessoa, coleta informações, consulta documentos, utiliza seu diário de pistas e resolve quebra-cabeças para avançar. Mas a grande força do jogo está justamente em como ele usa essas ferramentas.

O diário, por exemplo, é extremamente bem implementado. Ele ajuda quando necessário, mas sem destruir a satisfação de resolver um enigma sozinho. Além disso, o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade e sistemas de dicas ajustáveis, permitindo que cada jogador encontre o equilíbrio ideal entre desafio e acessibilidade.

Também gostei bastante da forma como o jogo evita exagerar em marcadores de objetivo ou elementos de interface. Existe uma confiança muito grande de que o jogador conseguirá observar o ambiente e chegar às próprias conclusões. Isso aumenta bastante a imersão e faz você se sentir realmente investigando mistérios antigos, e não apenas seguindo uma lista de tarefas.

Call of the Elder Gods review

Os puzzles também apresentam uma boa variedade. Alguns envolvem lógica pura, outros trabalham com símbolos, música, arqueologia e até dispositivos inspirados em tecnologias históricas. Essa diversidade impede que a experiência fique repetitiva mesmo após várias horas.

Horror cósmico com uma beleza inesperada

Uma das coisas mais interessantes em Call of the Elder Gods é que ele não segue a estética tradicional do horror lovecraftiano. Em vez de apostar apenas em ambientes escuros e decadentes, o jogo apresenta cenários coloridos, detalhados e muitas vezes até bonitos de se observar. Isso cria um contraste muito interessante com os temas perturbadores da narrativa.

Os ambientes são variados e possuem bastante personalidade. Cada nova localização transmite a sensação de estar descobrindo algo desconhecido, algo que talvez devesse permanecer escondido. Existe um senso constante de mistério que permeia toda a aventura.

O trabalho sonoro também merece elogios. A trilha sonora consegue alternar entre momentos contemplativos e cenas mais tensas sem parecer exagerada. Já a dublagem é um dos pontos altos da experiência. Harry, Evangeline e Norah possuem interpretações muito fortes, ajudando bastante na construção emocional da narrativa.

Sólido durante toda a jornada

O jogo rodou nas minhas configurações RTX 4060, 32GB de RAM e Ryzen 7 5700 de maneira extremamente estável durante praticamente toda a campanha. Considerando que ele utiliza a Unreal Engine 5 e possui cenários relativamente detalhados, eu esperava encontrar mais oscilações de desempenho, mas felizmente esse não foi o caso.

Call of the Elder Gods review

Durante a exploração, os frames permaneceram consistentes, os carregamentos foram rápidos e os ambientes mais complexos não apresentaram quedas relevantes de performance. Encontrei apenas pequenos stutters ocasionais durante algumas transições de área, algo relativamente comum em jogos construídos nessa engine, mas nada que comprometesse a experiência ou quebrasse a imersão. No geral, fiquei bastante satisfeita com a otimização.

Um dos melhores jogos de puzzle de 2026

Call of the Elder Gods é exatamente o tipo de sequência que entende o que tornou seu antecessor especial e trabalha para expandir essa fórmula em praticamente todos os aspectos. Os puzzles estão melhores, os cenários são mais variados e a sensação constante de descoberta faz com que seja muito difícil abandonar a campanha antes de descobrir seus segredos.

Nem tudo funciona perfeitamente. Alguns personagens poderiam ter recebido mais desenvolvimento, certos puzzles acabam se prolongando além do necessário e a reta final talvez não entregue todo o impacto que a construção da narrativa promete. Ainda assim, esses problemas nunca foram suficientes para diminuir meu envolvimento com a jornada.

Call of the Elder Gods review

O que realmente ficou comigo após os créditos foi a sensação de ter participado de uma grande investigação arqueológica misturada com horror cósmico. Poucos jogos conseguem transformar a simples busca por respostas em algo tão envolvente quanto este faz.

Se você gosta de jogos focados em mistério, exploração e quebra-cabeças inteligentes, Call of the Elder Gods é facilmente uma das experiências mais interessantes que surgiram este ano.

NOTA

9.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

Call of the Elder Gods é uma aventura narrativa em primeira pessoa focada em exploração, mistério e quebra-cabeças inspirados na obra de H.P. Lovecraft. Acompanhando Harry Everhart e Evangeline Drayton, o jogo leva os jogadores por uma investigação repleta de segredos antigos e horrores cósmicos. Uma sequência que amplia tudo o que tornou Call of the Sea tão memorável.

Marina L
Marina L
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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