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Solarpunk surpreende pela proposta | Review (PC)

Um jogo de sobrevivência que não quer te punir

Quando ouvi falar de Solarpunk, imaginei mais um daqueles jogos de sobrevivência onde você passa metade do tempo lutando contra fome, monstros, clima extremo ou algum sistema criado apenas para atrasar sua progressão. Felizmente, a proposta aqui é completamente diferente.

Solarpunk pega praticamente todas as mecânicas que conhecemos dos jogos de sobrevivência e remove o estresse. Em vez de criar um mundo hostil tentando te matar a cada minuto, ele cria um espaço confortável onde o objetivo principal é construir, explorar, cultivar e simplesmente aproveitar o processo. O resultado acaba sendo uma mistura curiosa entre survival, automação, construção de bases e cozy game, tudo isso em um universo de ilhas flutuantes movido por energia renovável.

Solarpunk

E sinceramente, depois de tantas experiências focadas em combate e pressão constante, existe algo extremamente refrescante em jogar um título que simplesmente quer que você relaxe.

Aqui a jornada é criada pelo próprio jogador

Uma das coisas mais importantes para entender antes de começar Solarpunk é que ele não possui uma campanha tradicional. Não existem grandes personagens, diálogos elaborados ou uma narrativa guiando cada passo da sua aventura. Os próprios desenvolvedores deixaram isso muito claro antes do lançamento, explicando que o foco do jogo está na progressão sandbox e não em uma história estruturada.

Isso significa que a história acaba sendo criada por você. Sua jornada começa em pequenas ilhas flutuantes onde tudo parece simples, mas aos poucos você expande sua base, constrói novas estruturas, desenvolve sistemas de energia e começa a explorar regiões mais distantes usando seu próprio dirigível.

Pode parecer uma ausência para quem gosta de narrativas fortes, mas depois de algumas horas percebi que essa decisão faz bastante sentido dentro da proposta do jogo. A satisfação não vem de descobrir o próximo capítulo da história, mas sim de olhar para sua base depois de várias horas e perceber o quanto ela cresceu.

Solarpunk

É aquele tipo de jogo onde você cria suas próprias metas. Hoje você quer automatizar a produção de recursos, amanhã quer construir uma casa mais bonita, depois decide explorar novas ilhas. E quando percebe, já está completamente envolvido naquele pequeno mundo que você mesmo construiu.

Cozy, viciante e perigosamente relaxante

A gameplay gira em torno de coleta de recursos, agricultura, construção, geração de energia e exploração aérea. Parece uma combinação que já vimos diversas vezes, mas a forma como Solarpunk executa essas ideias acaba criando uma identidade própria.

Logo nas primeiras horas você começa coletando recursos básicos para construir ferramentas e expandir sua pequena base. Aos poucos novas tecnologias vão sendo desbloqueadas, permitindo criar sistemas mais avançados de produção e automação. O interessante é que quase tudo gira em torno de fontes sustentáveis de energia, utilizando vento, água e luz solar para alimentar sua infraestrutura.

A exploração também funciona muito bem graças ao sistema de ilhas flutuantes. Existe uma sensação constante de descoberta ao pilotar seu dirigível em direção ao horizonte procurando novos recursos e áreas para explorar. Talvez não seja o maior mundo aberto já criado, mas ele consegue transmitir uma sensação muito gostosa de aventura.

Solarpunk

O que mais me surpreendeu foi justamente a ausência de pressão. Não existem ataques de inimigos destruindo sua base, não existem raids, PvP ou ameaças constantes. Isso faz com que o jogo tenha um ritmo muito diferente da maioria dos survivals atuais.

Automação e criatividade acima de tudo

As mecânicas de Solarpunk são construídas em torno de liberdade criativa. Você pode construir praticamente tudo no seu próprio ritmo, organizando estruturas, plantações, sistemas energéticos e áreas decorativas da forma que achar melhor.

O sistema de energia é facilmente uma das mecânicas mais interessantes do jogo. Painéis solares, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento funcionam como a base da sua infraestrutura, criando uma sensação muito legal de progresso tecnológico sem abandonar a estética natural do mundo.

Também gostei bastante da automação através dos drones de transporte. Conforme sua base cresce, eles começam a assumir tarefas repetitivas, permitindo que você foque mais na expansão e exploração. É aquele tipo de mecânica que começa simples mas vai se tornando cada vez mais importante conforme o jogo avança.

Por outro lado, dá para perceber algumas limitações, certas etapas da progressão podem parecer lentas demais e algumas mecânicas de construção ainda poderiam ser mais refinadas. Também existem críticas envolvendo o multiplayer, que ainda não parece tão robusto quanto poderia ser.

Solarpunk

Mesmo assim, para quem gosta de construir, decorar e otimizar sistemas, existe conteúdo suficiente para passar muitas horas completamente envolvido.

Um dos mundos mais bonitos do gênero

Visualmente, Solarpunk é exatamente o que o nome sugere. Tudo possui uma estética extremamente colorida, limpa e otimista. As ilhas flutuantes cercadas por vegetação, as construções sustentáveis e os equipamentos movidos por energia renovável criam uma identidade visual muito diferente dos tradicionais cenários pós-apocalípticos que dominam o gênero survival.

Existe algo quase terapêutico em simplesmente observar sua base funcionando enquanto o vento movimenta as árvores e os painéis solares captam energia. Em vários momentos parei apenas para apreciar o cenário ao meu redor.

A direção artística consegue transmitir perfeitamente a filosofia do movimento solarpunk, criando um futuro tecnológico que não depende da destruição da natureza para existir. E isso acaba sendo um dos maiores diferenciais do jogo.

A trilha sonora segue exatamente essa mesma linha, com músicas suaves e relaxantes que ajudam a reforçar a atmosfera tranquila da experiência. Nada tenta acelerar seu ritmo ou gerar tensão artificial. Tudo parece projetado para fazer você desacelerar e aproveitar o momento.

Bonito, mas ainda precisa de alguns ajustes

O jogo rodou nas minhas configurações RTX 4060, 32GB de RAM e Ryzen 7 5700 de forma bastante satisfatória durante a maior parte da experiência. Em áreas menores e durante a construção da base, os frames permaneceram estáveis e a utilização do hardware ficou dentro do esperado.

Solarpunk

Porém, nem tudo é perfeito. Durante alguns voos de dirigível e em áreas mais abertas com muitas estruturas construídas, percebi pequenas oscilações de desempenho e quedas ocasionais de FPS. Nada que torne o jogo injogável, mas considerando o estilo visual relativamente simples em comparação a outros lançamentos recentes, acredito que ainda existe espaço para melhorias de otimização. Ainda assim, para um projeto desenvolvido por uma equipe extremamente pequena, o resultado final é bastante competente.

Exatamente o que promete ser

Solarpunk talvez seja um dos jogos mais honestos lançados nos últimos tempos. Antes mesmo do lançamento, os desenvolvedores fizeram questão de explicar exatamente o que o jogo era e o que ele não era. Não existe combate profundo, não existe uma campanha narrativa gigantesca, não existe um mapa infinito e nem centenas de horas de conteúdo obrigatório. O foco está totalmente em construir, cultivar, automatizar e relaxar.

Se você procura um survival cheio de ação, batalhas e desafios extremos, provavelmente sairá decepcionado. Mas se gosta de jogos como Raft, My Time at Sandrock, Dinkum ou experiências cozy focadas em progressão tranquila, existe uma grande chance de Solarpunk te conquistar.

Porque no final das contas, ele entende algo que muitos jogos esquecem: às vezes tudo o que queremos é um lugar bonito para construir, explorar e chamar de lar.

NOTA

7.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

Solarpunk é um survival cozy ambientado em um mundo de ilhas flutuantes movidas por energia renovável. Misturando construção, agricultura, automação e exploração aérea, o jogo oferece uma experiência relaxante e extremamente confortável. Uma aventura tranquila que troca o estresse da sobrevivência pela satisfação de simplesmente criar algo seu.

Marina L
Marina L
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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