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WILL: Follow The Light é uma jornada tão bela quanto melancólica | Review (PC)

Uma jornada fria, melancólica e absurdamente humana

WILL: Follow The Light é um daqueles jogos que não tenta te impressionar pela ação, explosões ou combate constante, ele quer te fazer sentir sozinho. E sinceramente, poucas vezes um jogo conseguiu transmitir tão bem essa sensação de vazio, distância e silêncio como aqui.

Desde os primeiros minutos já fica claro que a proposta não é ser uma aventura acelerada, mas sim uma experiência mais lenta, contemplativa e emocional. O mar congelado, o som do vento batendo no barco, a neve cobrindo tudo ao redor e aquela sensação constante de estar perdido no meio do nada criam uma atmosfera muito pesada, quase sufocante em alguns momentos. E o mais impressionante é que o jogo entende perfeitamente isso, ele não tenta quebrar o silêncio o tempo inteiro, ele deixa você sentir ele.

WILL: Follow The Light review

E talvez seja justamente isso que faz WILL: Follow The Light ser tão diferente. Ele não parece um jogo tentando te divertir o tempo inteiro, parece um jogo tentando te colocar dentro da cabeça de alguém completamente destruído emocionalmente.

Um pai tentando encontrar o filho, mas também tentando encontrar a si mesmo

A história acompanha Will, um faroleiro que vive isolado numa ilha remota do norte, levando uma rotina silenciosa e praticamente desconectada do resto do mundo. Mas tudo muda quando ele recebe uma mensagem informando que sua cidade natal sofreu um desastre e que seu filho desapareceu. Sem pensar duas vezes, ele parte numa jornada pelo oceano congelado tentando encontrá-lo.

Só que conforme a história avança, fica muito claro que essa viagem não é apenas física. O jogo trabalha constantemente temas como culpa, luto, memórias e relações familiares quebradas. Em vários momentos, Will revisita lembranças do pai, da esposa e de erros que claramente ainda o perseguem. E sinceramente, foi isso que mais me prendeu, porque o jogo não tenta transformar tudo em drama exagerado. Ele trabalha muito mais no silêncio, nos olhares, na solidão e naquela sensação constante de alguém carregando dores antigas nas costas. Existe uma melancolia muito forte em toda a narrativa.

WILL: Follow The Light review

O problema é que em alguns momentos o ritmo acaba ficando estranho. Existem partes extremamente emocionantes e atmosféricas, mas logo depois o jogo coloca puzzles longos ou tarefas repetitivas que quebram um pouco o impacto emocional da narrativa.

Navegar pelo vazio é mais interessante do que parece

A gameplay mistura exploração, puzzles, navegação marítima e pequenos momentos de sobrevivência, mas o grande diferencial está justamente na ambientação. Navegar pelo oceano em meio às tempestades, controlar o barco manualmente e atravessar regiões congeladas cria uma sensação de imersão muito forte.  Existe algo muito relaxante e ao mesmo tempo angustiante em simplesmente ficar navegando naquele mar vazio enquanto o vento e a neve dominam tudo ao redor. E o jogo consegue transformar isso numa experiência quase meditativa.

Porém nem tudo funciona tão bem quanto deveria. Os puzzles são provavelmente a parte mais inconsistente do jogo. Alguns são muito interessantes e conseguem se integrar bem na narrativa e na exploração, mas outros acabam parecendo apenas obstáculos artificiais pra prolongar a duração da campanha. Em vários momentos você sai de uma cena emocional muito forte e o jogo imediatamente te manda procurar fusíveis, alinhar mecanismos ou resolver tarefas repetitivas que quebram completamente o ritmo.

WILL: Follow The Light review

E isso acabou me incomodando bastante durante algumas partes. Porque o jogo claramente possui uma alma muito forte, mas às vezes parece não confiar nela o suficiente, então tenta preencher espaços com puzzles e tarefas que nem sempre precisavam existir. Ainda assim, quando ele simplesmente deixa você explorar, navegar e absorver aquela atmosfera… ele vira algo muito especial.

Realismo, imersão e pequenas frustrações

As mecânicas tentam criar uma experiência bastante imersiva, principalmente na parte da navegação. O barco possui peso, inércia e movimentação influenciada pelo vento e pelas ondas, o que ajuda muito na sensação de realismo. Além disso, o jogo também possui momentos usando trenós, exploração em regiões congeladas e interação manual com vários objetos e sistemas. Gostei bastante da ideia do jogo não usar HUD exagerada ou marcadores constantes na tela. Isso deixa tudo mais natural e aumenta muito a imersão.

WILL: Follow The Light review

Mas ao mesmo tempo, algumas mecânicas acabam ficando excessivamente lentas ou repetitivas. Certos puzzles se estendem mais do que deveriam e existem momentos onde o jogo claramente confunde “realismo” com “lentidão”. Algumas tarefas simples acabam demorando demais pra serem concluídas e isso prejudica bastante o ritmo em determinados trechos.

Talvez uma das atmosferas mais bonitas do ano

Visualmente, WILL: Follow The Light é simplesmente absurdo em alguns momentos. O uso da Unreal Engine 5 cria paisagens congeladas extremamente realistas, principalmente durante tempestades, nevascas e cenas noturnas iluminadas apenas por faróis ou luzes distantes. Tem momentos navegando no oceano onde o jogo parece quase uma pintura em movimento. E talvez o mais impressionante seja justamente como o ambiente conta parte da narrativa. O mar, a neve, os barcos abandonados, o vento e as estruturas destruídas falam tanto quanto os próprios diálogos.

O áudio também é fantástico. O som do oceano, da madeira do barco rangendo, do vento atravessando as montanhas geladas e da trilha sonora melancólica ajudam MUITO na imersão. Em vários momentos o jogo praticamente vive através do som.

Infelizmente, os personagens acabam destoando um pouco disso tudo. Algumas animações faciais são estranhas e certas cenas emocionais perdem impacto justamente porque os modelos humanos não conseguem acompanhar a qualidade absurda dos cenários.

bonito demais… e pesado em alguns momentos

O jogo rodou nas minhas configurações RTX 4060, 32GB de RAM e Ryzen 7 5700 de forma relativamente boa na maior parte do tempo, porém senti inúmeras vezes drops intensos de FPS o que prejudicou muito a experiência do jogo. Nada que torne o jogo injogável, longe disso, mas claramente ainda existe espaço pra melhorias de otimização. Principalmente porque esse é um jogo extremamente dependente de atmosfera, então qualquer travadinha acaba quebrando um pouco da imersão. Ainda assim, visualmente ele compensa bastante.

WILL: Follow The Light review

Imperfeito, lento… mas extremamente humano

WILL: Follow The Light claramente não é um jogo pra todo mundo. Ele é lento, silencioso, contemplativo e em alguns momentos até cansativo. Existem puzzles que quebram o ritmo, mecânicas que poderiam ser mais refinadas e uma certa irregularidade técnica perceptível durante toda a experiência. Mas ao mesmo tempo… existe uma alma muito forte aqui.

O jogo consegue transmitir solidão de uma forma raríssima, e quando ele simplesmente deixa você navegar naquele oceano congelado enquanto a neve cai silenciosamente ao redor, ele vira uma experiência quase hipnótica. Talvez ele não alcance todo o potencial que claramente queria alcançar, mas mesmo assim, é impossível negar que existe algo muito bonito e sincero nessa jornada.

NOTA

6.0
★★★★★★★★★★

CONSIDERAÇÕES

WILL: Follow The Light é uma aventura narrativa em primeira pessoa focada em exploração, navegação e sobrevivência emocional. Entre mares congelados, memórias dolorosas e silêncio constante, o jogo entrega uma jornada melancólica e extremamente atmosférica. Uma viagem fria, lenta e profundamente humana.

Marina L
Marina L
Amante de jogos de terror, fascinada pelo universo dos games e suas histórias. Apaixonada por FPS e desafios de enigmas que testam mente e coragem.
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